domingo, 17 de outubro de 2004

MARILU

Vou contar uma história
de alguém que perdeu um pedaço
e foi procurar em você
o que enchesse esse espaço.

No início era por você
que o dia era de novo dia.
Era por você que havia
uma força de vida

Até que, ao invés de amanhecer,
você passou a anunciar só
a hora de dormir
e a hora de crescer.
E o desabo foi tanto que o poema perdeu a métrica e
a rima.

Hoje eu sei que ninguém
é alicerce do outro.

Vou chorar teu sangue derramado,
tuas lágrimas perdidas
teu filho parido,
teu amor custoso de preterida,
e tuas metas pretendidas
e teu suor esgotado.

Vou torcer pra te trocarem as lâmpadas,
pra te ninarem no sono,
sem nunca parar de me encantar
com os rasgos de tuas saudades.

Tuas saudades de quando podia
não ter casado,
ter gritado,
não ter escolhido,
ter gozado,
não ter concedido,
ter proibido,
ter sido
ou não ter sido
diferente.

Eu sei que nada que eu diga
vai tirar teu cansaço,
ou descarregar teus ombros,
ou te levantar do chão,
ou enxugar o sereno do teu olho de lua,
que vai pingar sempre
uma pra São Jorge e outra pro dragão.

Mas acontece que meu carinho só sabe
ser assim, super novas que vêm
da eclosão de buracos negros,
perdidos entre dois inconscientes.

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