terça-feira, 26 de agosto de 2008

D’après Flor de Belém

"Hoje vou procurar a palavra que se perdeu, que escapuliu entre meus dedos, que escorreu por minhas mãos. Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não pára de me levar pra longe daqui. Eu hoje vou ficar aqui quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso."
Clarah Averbuck

Não vejo a hora de encontrar o meu...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

SABE O QUE EU SEI

(Julio Zartos / Renata Costa / Mariana Blanc)


Sabe o que eu sei?
Tudo aquilo que não tive
Os olhares que não vi.
Sei de noites...

Sabe o que eu sei?
Sei de mares tão bravios,
de amores tão vazios,
sei de noites...
sei de noites...

Nada que sei
pode consolidar tanto amor.
Só eu quis...
Nada que você não fez
pode desconstruir esse amor.
Só eu vi esse filme.
Ah, se você soubesse essas noites!
Sei de noites...
Sei de noites...

Nada que fiz
pôde contagiar
teu olhar
não resiste
Nada que você não diz
pode contaminar esse amor
que eu quis sem limites.

Ah, se você nos desse essa noite!
Sei de noites...
sei de noites...


(fractal de Jeanne Adema)

domingo, 10 de agosto de 2008

Um caso de paixão.

E a moça não pára.

http://branca.multiply.com/music/item/79/79

As paixões realmente nos movem.
Ah, Coisa Linda...
Só você.

sábado, 9 de agosto de 2008

Um haikai para Syl.

Peguei uma esquerda
em algum lugar.
Como não sei onde foi,
também não sei voltar.

NÃO ME DEIXE SORRIR

Segurou firme na mão da amiga e pediu:
– Não me deixe sorrir.
– Tá louca?
– Falando sério.
– Por quê?
– Não quero dar mole pra malandro. Quero que ele me veja assim maravilhosa, por cima da carne-seca. Desde que eu descobri que ele tem vindo aqui, estou planejando esse momento. Quero esfregar na cara como estou serena e tranqüila, bem mesmo.
– E como você sabe se ele vem?
– Minhas fontes são as melhores.
– E vai ficar sem sorrir? Com cara de manga?
– Manga...
– Chupada.
– Ô, quem dera. Não é cara fechada, tonta. É serenidade e elegância. Agora disfarça, acho que é ele ali na porta, chegou! Deixa eu me sentar desse lado. E se eu começar de risinho, já sabe: me belisca.
– Você que sabe.
– Hi, ele parou na outra mesa.
– Qual?
– Ali, na esquerda.
– Aonde? No banheiro?
– A outra esquerda. Atrás da pilastra.
– Você tá vendo de costas e atrás da pilastra?
– Pelo espelho, merda. Olha direito você, que está de frente.
– Ah, tá. E aqueles, quem são?
– Nunca vi. Devem ser amigos do escritório.
– E você não conhece ninguém?
– Não.
– E todos aqueles almoços e festas?
– Nunca fui.
– Toda hora tinha um evento ou compromisso social...
– Sei de nada.
– Você nunca foi ou ele nunca te levou?
– Cala a boca.
– Bonita a mulher.
– Qual delas?
– Aquela do lado de quem ele sentou.
– Uma velha de azul?
– Não, uma ninfeta de vermelho. A que ele está abraçando.
– Abraçando?
– E beijando.
– Como, beijando? Na boca?
– Perfeitamente.
– Ah, mas claro, selinho de amigo, lógico.
– Se aquilo é selinho-amigo, tá na hora d’eu começar a ir pro Maracanã com o Osvaldo.
– Mas de que lado você está?!? Você deve estar enganada. Vou me virar.
– Eu-você não faria isso.
– Por quê?!?
– Porque ele tirou uma caixinha de veludo do bolso...
– ... !!!
– ... e está de joelhos, na frente do grupo todo.
– Esses aplausos?
– São pra eles.
– Você só pode estar brincando.
– Nunca se brinca com tantos quilates.
– É de brilhante???
– Brilhante é o fundo das minhas panelas. Aquilo é uma agressão.
– A mim! A mim! Ele nunca me deu sequer um tíquete-refeição!!
– E você aturava? Bem feito.
- Pára de enrolar! E agora? O que eles estão fazendo?
– Brindando de pé, traças entrelaçadas...
– Não é possível...
– ... e recebendo os parabéns.
– Mas não tem bem nem três meses! E nós ficamos juntos por dois anos e ele nunca propôs!
– Amiga, vou te dizer: ele propôs, submeteu, deferiu, registrou e entregou.
– Eu não consigo acreditar.
– Melhor você acreditar e rápido.
– Como assim?
– Ele tá vindo pra cá.
– Queísso!!
– E já te viu.
– Ele vai me ver como rosto inchado de choro, com jeito de arrasada, obviamente de-ses-pe-ra-da?
– Melhor botar um sorriso aí depressinha, porque ele vem, meio sem graça, com a melhor pinta de cumprir obrigação social, mas vem...
– Mas graça onde? Sorrir de que? Como?!
– Não sei! Quer que eu te belisque?!?

ATARAXIA

Cale-se.
Não arraste a materialidade fria da sua ausência para dentro do armário.
Mova-se.
Atalhe em curto o pasmo e o peso do desaire.
Despeça-se.
Sorria para os inimigos cultivados e deixe a casa pelo mesmo prefácio.
Cubra-se.
Poupe as crianças da vergonha futurível e covarde.
Convença-se.
Olhe apenas adiante e sempre próximo a seus próprios pés.
Livre-se.
Jogue fora seu apego, sua doença, seus vícios, seus pesados disfarces.
Controle-se.
Seja seu melhor e único amigo em perpétuo isolamento.
Desperte-se.
Acorde agora e nunca mais dê ouvidos a superfícies refletoras ou brilhantes.

Tears Dry On Their Own


Amy Winehouse


All I can ever be to you
is a darkness that we knew
and this regret I got accustomed to...
Once it was so right!
When we were at our high,
waiting for you in the hotel at night,
I knew I hadn´t met my match.
But every moment we could snatch,
I don’t know why I got so attached.
It's my responsibility,
and You don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity...

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

I don't understand
why do I stress the man
when there's so many better things at hand.
We could have never had it all,
we had to hit a wall.
So this is inevitable withdrawal -
even if I stopped wating you,
A perspective pushes through:
I'll be some next man’s other woman soon...

Can I play myself again?
Or should I just be my own best friend?
Not fuck myself in the head with stupid men?

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

So we are history,
Your shadow covers me,
The skies above a blaze

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

I wish I could say no regrets
and no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets...
So we are history,
The shadow covers me,
The sky above a blaze
that only lovers see...

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I'm grown.
And in your grey,
My blue shade
My tears dry on their own!(whooa!)

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I'm grown.
And in your grey,
My deep shade,
My tears dry on their own!



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