segunda-feira, 27 de junho de 2005

QUE SEXTA FOI ESSA????

Depois dessa, a Barca de Caronte precisa voltar a navegar.
Cês não tão entendendo... Era pra ser uma sexta feira calma e tranqüila. Uma cervejinha na feira, uma passadinha no Momo pra dar um beijo no meu avô e pronto!! Mas não, não dá pra ser simples... Foram quatro tempos de bola rolando sem parar, com uma mísera pausa pra fazer um xixi entre uma coisa e outra.
Começou na feira com siri, tapioca, churrasco de lingüiça, picanha borboleta, frango, corações e lombinho, caldinho de feijão e um outro troço que eu até agora tenho medo de perguntar o que era. A feira é ótima, mas acaba rápido. Então ficou acertado a ida de todos os quinze da barraca prum buteco no Morro da Conceição, onde continuamos com batidas de coco e maracujá, queijo, salaminho diagonal (nada com o Harry Potter), e um estranhíssimo bolo de omelete (!?) que dividiu as opiniões. Eu gostei, mas eu como até êpa depois de certa hora...
Ainda não era o suficiente, então como estávamos perto, descemos pro Escravos da Mauá. Luxuosa canja de Aldir e Moacyr, uma coisa. Aí babou de vez: caipirinha do Luizinho, meia-de-seda, vodkas com frutas variadas, um charuto, e tome cerveja pra lavar a serpentina.O quarto tempo era no aniversário do Marcelo Moutinho, o Príncipe do Eixo Madureira-Copacabana.
Disseram que me viram. Disseram que eu ainda tomei mais cerveja, uma batida de maracujá de suco Maguary, e ainda roubei a cachaça de um desavisado. Disseram também que eu prometi release, orelha de livro, capa de CD, óleo sobre tela em 2 X 4 metros, um jantar de noivado e um contrato de exclusividade. Só tem um detalhe... depois de ter conseguido avistar o aniversariante por três segundos e dois décimos, eu me dei por satisfeita, com as tarefas sociais devidamente cumpridas, e desliguei a chave central. Portanto, eu não me lembro muito bem dessas últimas partes. E se eu não me lembro, não aconteceu!! :))

Terceiro tempo: "O bêbado e a equilibrista" no Escravos da Mauá.

Já imaginou?

Basile e Moacyr no preparo da frigideira de siris.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Autópsia

Letra de Aldir Blanc (para o momento dramático do último infarte)

Hoje, a palavra jamais
se apossou do meu dentro
como um seqüestrador
congelando um momento
como um torturador
saqueando
o templo
do meu corpo
como um profanador
violando o sossego
onde já estive morto...

Meu amor foi em vão
ressuscitado
só pra testemunhar
que não resta mais nada
e é nessa paisagem desolada
e vazia,
dentro dessa agonia,
sem raiz, orvalho e ramo
que eu grito: eu te amo
mesmo que não me pertenças mais,
mesmo que eu, no abandono,
também já não me pertença mais.

Com a frieza das facas semelhantes
dos legistas a amantes, bons profissionais,
foi gravada em meu peito a palavra jamais.
Mesmo sendo relativamente moço
e achando o poço onde ela é pedra
profundo demais
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