segunda-feira, 6 de junho de 2005

Autópsia

Letra de Aldir Blanc (para o momento dramático do último infarte)

Hoje, a palavra jamais
se apossou do meu dentro
como um seqüestrador
congelando um momento
como um torturador
saqueando
o templo
do meu corpo
como um profanador
violando o sossego
onde já estive morto...

Meu amor foi em vão
ressuscitado
só pra testemunhar
que não resta mais nada
e é nessa paisagem desolada
e vazia,
dentro dessa agonia,
sem raiz, orvalho e ramo
que eu grito: eu te amo
mesmo que não me pertenças mais,
mesmo que eu, no abandono,
também já não me pertença mais.

Com a frieza das facas semelhantes
dos legistas a amantes, bons profissionais,
foi gravada em meu peito a palavra jamais.
Mesmo sendo relativamente moço
e achando o poço onde ela é pedra
profundo demais

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