terça-feira, 29 de março de 2005

Desconstruindo os Hipocondríacos

Aldir Blanc
Colaborou - Eduardo Goldenberg

Somos obrigados diariamente a conviver com os assassinatos em nossas esquinas e o genocídio acobertado pela nova desordem globalizante e neoliberal. Além disso, sofremos a derrocada diária de nossos pequenos mitos: Robin Hood foi o inventor da meia-calça; Dona Benta enfiava o sábio sabugo no Pedrinho e na Narizinho, sob o comando da dominatrix Emília; Zumbi, na intimidade, preferia ser chamado de Branquinha... Coisas assim desarvoram qualquer mortal. Pode existir um massacre mediático ainda mais devastador? Pode. Ninguém agüenta a gangorra aloprada sobre alimentos, remédios, dietas, práticas medicinais alternativas, golfinhos tarados, estrelas glutonas, malhações, e outras baboseiras.

O Verissimo comemorou a absolvição do ovo, até bem pouco tempo atrás uma espécie de serial killer e confessou aguardar, ansioso, pesquisas que demonstrem o valor terapêutico das tirinhas de bacon. Bom, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, um ovo deve ser cozido à temperatura exata de 60 graus, em precisos 3 minutos e 30 segundos ou estaremos ingerindo um viveiro fatal de salmonelas. De agora em diante, ovo, meus caros, só com termômetro de precisão na panela e cronômetro, aferido pelo Inmetro, na mão. Já a manteiga e o creme de leite, uma dupla comparada à Fera da Penha em conluio com o Motoboy, estão liberadíssimos: ricas fontes de vitamina A, a verdadeira agente da CIA no combate à infecções e doenças de pele - mas, atenção!, a maioria dos remédios que se apresentam como vit. A tem dosagem hepatotóxica, podendo levar à hepatite medicamentosa.

Passemos ao chute nos tomates. Lançado em horário nobre na televisão, feito o Leonardo dos hortigranjeiros, como o único alimento capaz de prevenir (basta comer o equivalente a seis caixotes semanais) o câncer de próstata, foi avacalhado, logo no dia seguinte, por naturebas ligados a grupos macrobióticos: é mais venenoso para os rins que hemodiálise em hospital de pobre. A síndrome de Clóvis Carvalho também atingiu a soja: milagrosa na sexta-feira e delinqüente transgênica no domingo.

Um pesquisador pernambucano detonou:

- O boldo não é tão inofensivo quanto aparenta!

Um pouco de sua substância ativa, a boldina, em excesso no organismo, pode causar alterações cromossômicas, ou seja, a ingênua gestante acha que está esperando o Di Caprio e nasce o Ratinho.

Na Internet, a loucura é total. Várias xícaras de café do brabo são excelentes no combate aos ataques cardíacos. A beringela não reduz o colesterol coisíssima nenhuma, podendo causar algum prazer apenas como consolo - sem pilha, é claro. O antes todo-poderoso mel dá mais ferroada que a colméia reunida. A gordura do abacate, a banha de porco, o chocolate e o torresmo ajudam a conseguir uma silhueta de Marco Maciel. Entretanto, a malévola alcachofra engana mais que o ACM. O aspartame causa degenerações dignas de um ruralista. Por isso, devemos todos voltar ao ciclamato Roberto Campos. Yakult e Chambito agem tipo bomba de efeito retardado no intestino grosso, uma espécie de Acre na geografia orgânica. Um dia, a contenção vem abaixo e é merda no ventilador pra todo lado. O Viagra pode causar sexorexia: fartos de ficar de pau duro, seus usuários contumazes compram espartilho fúcsia e pegam fuzileiros navais na Praça Mauá.

Impressionado com as dimensões catastróficas de todo esse lixo, caí na asneira de ler a bula de um remédio que tomo. Trata-se do brometo de pinavério. Convenhamos: todo sujeito que ingere uma droga chamada pinavério é débil mental. Eis os excipientes (uma palavra por si só bastante macabra): dióxido de silício coloidal (meu Deus, aquilo que faz computador lá no Vale). Talco (é, o polvilhado em bunda de neném). Eudragit (Nossa Senhora!). Polietilenoglicol. Dióxido de titânio (caceta, são dois Titãs, só que já oxidados!) Laca (é isso aí: Laca). E, pasmem, Corante AmareloCcrepúsculo! Não é atoa que tenho cantado Babalu com voz fina no chuveiro. Segundo o The Lancet, o Corante Amarelo Crepúsculo faz um capanga do Hildebrando achar o Selton Melo “fofinho”. O pinavério é antagonista do cálcio. Dá vontade de pegar o desgraçado pelo colarinho e perguntar:

- Porra, Pinavério, que qui tu tem contra o Cálcio, caralho?!

E, desgraçadamente, a bula ainda me adverte: não posso amamentar “por falta de estudos específicos”. Deles ou meus? Nem mesmo leite de minhápica?

segunda-feira, 28 de março de 2005

... Posted by Hello

Morte por afogamento

Quebrei a porta da geladeira de tanto abrir e fechar. Desisti do gelo e passei pro caubói. Deviam vender tuas postas em conserva, drogas injetáveis têm muitos efeitos colaterais. Os pesadelos se agravam. Eu continuo morando nos teus olhos, tá tudo ainda assim queimando em mim, salvas e salvas de fogos, eu no Maracanã e você comigo, eu no metrô, no Largo de São Francisco, ouvindo Etta James, dançando jongo, bendito louvado seja, é o rosário de Maria, eu fora e sempre dentro dágua, no mesmo mergulho, na mesma sombra, no mesmo naufrágio.

Devo ter feito reza na feição do cão, eu pago sempre com juros, eu não esqueço, eu não durmo. Os sapos coalhando de desalento o peitoril da janela e eu cerzindo ferida de não poder mais, de ainda, de senão. Coração preso entre o fastio do sentimento e a intemperança do presente, estala, range, vai aos arrancos e soluços, não tem mais estrada que alente, se soubesse parar, parava, se soubesse correr, corria, se pudesse... se pudesse ia.

Anjo torto da minha fé descrente, Javé é compaixão e piedade, lento para cólera e cheio de amor. Fico desperto, gemendo, como ave solitária no telhado, com vela colorida na quarta-feira, tomo chá de camomila, erva-cidreira, não adianta, salta um coquetel, pantoprazol e limbitrol numa azulada, duas alcachofras, com bastante gelo, "shaken, not stirred", minhas mãos doem, as minhas unhas estão cheias de terra, eu cavo um poço por dia ou deixo esturricar, desaprendi de recolher, e as sementes se foram com as folhas do mulungu que as deita no vento antes de cobrir de flor... O meu rosário de contas – ave-marias negras, pais-nossos de arganéu – eu guardei na rede pra balançar tédio de varanda, calma fingida, e fui trançar os cabelos, fazer renda de fita, tirar pó, mecânica quanto raiada, ladrilhando a memória de pedrinhas de brilhante, ajibonã de minha própria alma, capataz dos meus desejos, algoz de minha calmaria.

É de espantar que os dias se sucedam, que chova, que esquente ou esfrie, que a comida estrague e que cheguem jornais novos se o tempo está parado. Um besouro pousou no meu olho.

segunda-feira, 21 de março de 2005

Cariocaturíssimo Lan

Mais uma colaboração amiga pra ajudar a aumentar o aconchego desse nosso cantinho. Foi escrito por amigo que eu fico muito feliz por ter ganho de presente. Quem sabe ele não faz outras aparições por aqui.

Quero dar um abraço
nesse garoto
que esse ano fez oitenta,
craque do poema em traços,
carioca da gema
que dispensa papel passado
e ainda acalenta
aquele sotaque maroto,
quero dar um abraço
nesse sujeito sambaixonado,
e em itálico tinha de ser,
que é desse jeito
que seu peito aquarela
e Portela,
que paixão imensa!,
faço também questão
de lhe dar um abraço
pelo feito especial,
o Nobel de Cariocaturas
com a Lanrdose da Mulata
que retrata
a poética abundância
dessa bela mistura nacional,
exuberância estética
na qual ninguém bota defeito,
e em itálico, como convém;
obrigado,
cariocaturíssimo Lan,
por esse Rio de humor
que me inunda
com essa overdose de mulata,
obrigado,
cariocaturíssimo Lan,
por esse Rio de humor
que abunda em lordose
e me faz feliz na dose exata!

Rio Maracanã, sexta-feira, dia de feira.
Do seu fã,
Luiz Moreira

sexta-feira, 18 de março de 2005

::: sem parar: Canta, canta mais

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

Canta, canta
Sente a beleza e
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta
Ah...
Canta, canta
Canta, vai, vai
Segue cantando em paz
Canta, canta
Canta mais

sexta-feira, 11 de março de 2005

Zulmira, malandros e reis


20 toneladas de ferro maciço batiam as estacas da fundação. Os alarmes de ataque aéreo já pareciam fazer parte do enredo. As paredes talvez desmoronassem. Sem contar com o fedor de fossa e essa absurda vontade de vomitar. Bumbos, surdões e tantãns botavam pra quebrar em plena Marquês de Sapucaí. Ou talvez fosse Exército da Salvação marchando sobre os paralelepípedos da vila suburbana. "Ó suburbano coração..."! Ou talvez tudo isso fosse efeito da bebida. Pra quê misturar samba com churrasco e beber dessa maneira? Quando é só o samba, dá pra controlar a cerveja. Mas e a picanha, quem sugira? Quer dizer, segura? Aí dá uma sede danada e ainda por cima todas as tias velhas ficam chupando o fiapo do dente e as crianças não param de imitar chacretes de banda baiana num sol que parece estar vindo pra cima encarando geral feito a morena mulher do cunhado do teu vizinho que insistia em mostrar o decote na cara de todo mundo principalmente na sua quando a Zulmira chegava perto e todo mundo sabe que a Zuzinha não é de fritar bolinho muito menos cozinhar pra fora já que nem bem a loura da rua de baixo apareceu e a Zuzinha já havia chamado o nêgo na chincha e espinafrado a boazuda e ele nem conseguiu dizer pra ela que tava na hora do futebol e os cumpadres não iam perdoar a falta nem dele nem da cerva que ele tinha que levar porque bastava a da semana passada quando a kombi do sacolão atropelou a Tia Vica e fez a pobre rodar mais do que na ala das baianas naquele carnaval que eles passaram acampados no quintal da casa do Tio Joca por falta de vaga dentro de casa mas do jeito que ele ronca ninguém ia dormir e nem tinha tanto problema porque ninguém dormia mesmo com tanta vontade de mijar sem contar com o banheiro quando não tava ocupado tinha um cagalhão boiando e era melhor parar já que todo mundo sabe que botar a família no meio não dá certo e tanto a minha mãe quanto a tua têm telhado de vidro e ia começar a juntar gente feito urubu na carne-seca do seu Trindade aquele velho camelô safado que pediu trezentas pratas e se mandou pro Pará atrás de umas terras roubadas que passam de ladrão pra ladrão e nunca pagou o dinheiro que Zuzinha ajudou às custas de muita trouxa de roupa a juntar e tava guardado pra consertar a lage da casa pra eles poderem ir morar juntos logo porque não dá mais pra viver sem ela e "vamos sair logo daqui" que ela tá é precisando de um trato bem dado do jeito que só ele sabe dar...

terça-feira, 8 de março de 2005

"Peguei a Barca de Caronte pros Quintos dos Infernos e levei..."

Eu estava com uma dúvida cruel: como incluir comentários sobre CDs, livros, filmes, sem que ficasse tudo misturado com os contos e virasse a sucursal do hospício? O problema das músicas já tinha sido solucionado com o selo SEM PARAR, mas e os livros? E os filmes? E se nem fosse tão bom, mas valesse o comentário? E se fosse tão ruim que só baixando o cacete?
Bom seria ter aprendido a fazer as coisas direito, saber programação, não depender só do Blogger. Pacença.
Que fazer?
Foi então que surgiram Branco e Dedeco e apesar do adiantado da hora (passava das quatro), eles iluminaram minha mente: a melhor maneira de compreender o caos é usar a lógica. Nada como sorvete de flocos. Então taí.
A brincadeira é:"'Peguei a Barca de Caronte pros Quintos dos Infernos e levei..." e aí depois decidir se leva mesmo ou não. Hoje a gente começa com livros.

Livro: Vencer ou Morrer: futebol, geopolítica e identidade nacional
Autor(es): Gilberto Agostino
Editora: Mauad
Ano: 2002
Nº de páginas: 272
E aí? Leva?
Leva... pode levar.
Mas não vou fazer resenha nenhuma, porque não li o fim e não estou mais de posse do exemplar, vítima de torpe e vil ato de uma dessas pessoas que, infelizmente, vieram pro mundo a passeio. Triste. Tentei comprar outro e não achei. Tem no Submarino, mas eu não sou moderna. De maneiras que fica apenas o link abaixo. Discordo de umas coisas, acrescentaria outras, mas no geral é isso aí.
http://www.nethistoria.com/index.php?pagina=ver_livro&livro_id=462
E fica assim, o não dito pelo dito.

Livro: Tudo que não é cavalo
E aí? Leva?
Não. E deixa assim mesmo.

sexta-feira, 4 de março de 2005

JUAREZ MACHADO - Cocktail Fourré - 2002 Posted by Hello

Como é que conserta?

Quando eu cheguei em casa depois de dezoito reuniões bestas e desnecessárias (dinheiro que é bom, necas), tudo, tudo que eu queria era sossego. Mas tinha que ver emêiul, não tinha? Tinha que olhar caixa postal, responder recado no celular, mural do Orkut, comentário no blog... Merda. É horrível ter que fazer isso em dia de azedume.
Aí veio uma mensagem de um amigo de uns quinze anos, que mudou de endereço eletrônico. Fui pra lista do orkut tentar responder e... tava lá a foto. Do lado, coladinha. Não do amigo, mas dele. Ele. O amado, o escafandrista, o amante perfeito, boca indizível, o inconfessável... raiva. Raiva. Incontrolável. Ódio mortal. A situação limítrofe entre a fúria obsessiva e o ódio-cabloco-quebrador-de-prato, e uma vontade estúpida de consertar, de ser menos passional, menos surtada, eu faria tudo diferente, teria mais paciência, devia ser dos melhores amigos até hoje, na verdade é, porque eu converso com ele toda noite, eu só podia ter tido mais tato, ter sido mais elegante, um silêncio sábio de debruçar no assunto, uma parcimônia...
Só que essa não sou eu.
Eu reconheço. Fui eu que pedi, quis assim. Fato.
Mas eu tenho uma saudade abissal do sorriso, da voz... e do cheiro. Só. E o pior: contra todos os meus prognósticos, não quer passar. Então, pra celebrar a minha estupidez, sem nada de mensagem oculta na letra, é muito mais o clima, quase de celebração, "é essa porra mermo", com vocês, nessa altura altíssima (altas estamos eu e a madrugada), com vocês mais um momento da série ::::SEM PARAR:

Que Nem Maré
(Jorge Vercilo)

Faz um tempão
Que eu não dou trégua
Ao meu coração
É você o meu lugar
Quando tudo por um fio está
Nada vai me fazer desistir do amor
Nada vai me fazer desistir de voltar
Todo dia pro seu calor
Nada vai me levar do amor

Faz um tempão
Que eu não dou asas
À minha emoção
Passear, distrair e me achar
Lá no fundo de ti
A saudade bateu
Foi que nem maré
Quando vem de repente de tarde
Invade, transborda esse bem-me-quer
A saudade é que nem maré


PS: É... Pois é. Ainda. Que coisa.
PS2: Que fenômeno esse do anonimato da rede... A gente fica com mania de contar a vida... Céus.

quarta-feira, 2 de março de 2005

JUAREZ MACHADO - Les Coulisses - 2002 Posted by Hello

Trim, trrriiim...

- Aaloou?
- Quem fala?
- Quer falar com quem?
- Sr. Paulo?
- Ele.
- Boa tarde, Seu Paulo. Permita que eu me identifique. Meu nome é Marisa e eu sou voluntária...
- Minha filha, não dá não. Tou no trânsito e vou levar multa se ficar aqui parado com o celular na mão. Uma outra hora, sim? Obrigado.
Trim. Trim.
- Alô?
- Sr. Paulo?
- Ele.
- É a Marisa, seu Paulo. Gostaria que o senhor me escutasse por um momento...
- Ai... eu já falei pra vc que agora não dá.
- Eu preciso falar com o senhor sobre...
- Será possível? Não me interessa, não posso ajudar. Se for doação, tou precisando de uma. Meu cartão de crédito tá bloqueado, não tenho cheque, não faço compras pela internet e estou contente com o meu jornal. Tá bom assim?
- Mas é que...
- Tenha um bom dia.
Trim. Trim. Triiiiim.
- Eu estou perdendo a paciência!
- Seu Paulo, é só um momento, por favor. É um caso de vida ou morte!
- Vou ser obrigado a desligar o meu próprio telefone!!
Trim. Trim. Triiiim.
- Não atendo e pronto.
Trim. Trim. Triiiiim. TRIIIIIM!
- Mãe! Ainda bem que é a senhora. Tem uma moça me enlouquecendo aqui no telefone, já deixei passar várias ligações e só agora que vi no bina que era o seu número, o trânsito não anda e eu...
- Paulo, cala a boca um instantinho. A moça que estava te ligando, como era o nome dela?
- Ah, mãe. Telemarketing. Sei lá.
- Faz um esforço, meu filho.
- Era Valquíria. Não... Vanusa. Não. Lembrei! Marisa!
- Minha Santa Bárbara... Paulo, essa moça acabou de ligar pra cá.
- Péra, mãe, outro guarda. Perseguição, só pode. Nem em posse de comandante tem tanta farda. Agora vai, mãe. Fala.
- Paulo, essa moça é do CVV.
- Do Comando Vermelho?
- Pára esse carro, Paulo!! Pára e presta atenção! Essa moça é do CVV, Centro de Valorização da Vida! É a Sônia, Paulo, a tua mulher...
- ...
- Paulo, vai pra casa agora. Ouviste bem? Agora!

No jornal do dia seguinte, nota de pé de página, no caderno da cidade. O marido tenta se justificar. Entrou na ruazinha do Méier cantando pneu e na contra-mão, bateu no muro da casa vizinha, destruiu a frente do carro, parte do muro caiu em cima de um menino de seis anos que jogava bolinha de gude e foi internado no hospital. Saiu do carro correndo, largou a porta de casa aberta, vasculhou o primeiro andar todo gritando a esposa, subiu a escada já aos prantos, entrou no quarto e o encontrou todo revirado. Roupas pelo chão, gavetas quebradas, duas garrafas de vodka vazias, fotos rasgadas e cacos de vidro por todo canto. Gritou de novo, olhou embaixo da cama, viu o fio de água avançando pelo chão e seguiu-o até o banheiro. Não teve coragem para abrir a cortina da banheira de louça branca. Desceu, chamou o advogado, a mãe, uma equipe de reportagem e depois uma ambulância. Encontraram o celular no quintal, destruído.
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