sexta-feira, 4 de março de 2005

Como é que conserta?

Quando eu cheguei em casa depois de dezoito reuniões bestas e desnecessárias (dinheiro que é bom, necas), tudo, tudo que eu queria era sossego. Mas tinha que ver emêiul, não tinha? Tinha que olhar caixa postal, responder recado no celular, mural do Orkut, comentário no blog... Merda. É horrível ter que fazer isso em dia de azedume.
Aí veio uma mensagem de um amigo de uns quinze anos, que mudou de endereço eletrônico. Fui pra lista do orkut tentar responder e... tava lá a foto. Do lado, coladinha. Não do amigo, mas dele. Ele. O amado, o escafandrista, o amante perfeito, boca indizível, o inconfessável... raiva. Raiva. Incontrolável. Ódio mortal. A situação limítrofe entre a fúria obsessiva e o ódio-cabloco-quebrador-de-prato, e uma vontade estúpida de consertar, de ser menos passional, menos surtada, eu faria tudo diferente, teria mais paciência, devia ser dos melhores amigos até hoje, na verdade é, porque eu converso com ele toda noite, eu só podia ter tido mais tato, ter sido mais elegante, um silêncio sábio de debruçar no assunto, uma parcimônia...
Só que essa não sou eu.
Eu reconheço. Fui eu que pedi, quis assim. Fato.
Mas eu tenho uma saudade abissal do sorriso, da voz... e do cheiro. Só. E o pior: contra todos os meus prognósticos, não quer passar. Então, pra celebrar a minha estupidez, sem nada de mensagem oculta na letra, é muito mais o clima, quase de celebração, "é essa porra mermo", com vocês, nessa altura altíssima (altas estamos eu e a madrugada), com vocês mais um momento da série ::::SEM PARAR:

Que Nem Maré
(Jorge Vercilo)

Faz um tempão
Que eu não dou trégua
Ao meu coração
É você o meu lugar
Quando tudo por um fio está
Nada vai me fazer desistir do amor
Nada vai me fazer desistir de voltar
Todo dia pro seu calor
Nada vai me levar do amor

Faz um tempão
Que eu não dou asas
À minha emoção
Passear, distrair e me achar
Lá no fundo de ti
A saudade bateu
Foi que nem maré
Quando vem de repente de tarde
Invade, transborda esse bem-me-quer
A saudade é que nem maré


PS: É... Pois é. Ainda. Que coisa.
PS2: Que fenômeno esse do anonimato da rede... A gente fica com mania de contar a vida... Céus.

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