sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Arritmia em pêndulo

Pro Babo, no amor de quem eu fui morar

A cada passo
Do meu caminhar,
Se eu me perco
Ou se me acho,
Sei que só faço
O que mandar
O meu feitio.

A cada respirar
Do meu impulso,
Se é profundo
Ou mais suspiro,
Sei que só desfiro
O golpe justo
Do nosso vazio.

A cada grito
Inesperado,
Cada desamor
Propositado,
Cada manhã arruinada
Por outra noite mal curada,
Eu desmancho mais
E te quero mais,
Matando todos os meus dias.
Esperando, acorrentada a cada instante,
Que o teu amor inconstante,
Ainda que hesitante,
Venha calar-me o pranto incessante.

A cada arroubo
Inopioso,
Cada ceder
Virtuoso,
Cada silencioso martírio
Atado ao beijo ausente,
Eu desvelo ainda,
Prisioneira ainda.
Batendo no peito um relógio
Que conta o tempo pra trás.
Boquiaberto,
O coração cedeu espaço incerto
Pra um tique-taque deserto.

A cada batida
Monocórdia tento
Aceitar o meu destino
Assustoso – quiçá só um
Mal pressentimento:
Ainda vou morrer de amar
Mais do que agüento.

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