quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O óbvio e o oculto - Heyk Pimenta

Adoro receber presente de ser apresentada a autores que não conheço. Mas, como leitora, sou tacanha: 8 ou 80, amo ou odeio. Julgamento primário, sentença zipt-zapt-blum. Este foi diferente.

Heyk Pimenta me intrigou.

Seus poemas me arrancaram da zona de conforto crítica: um senso de desacerto quase me fez desistir na primeira miragem. Eu não acertava o passo, ritmo desacertado, a crítica querendo pular linhas e parando no trem do esteio. E uma vontade danada de ir adiante.

Eu li. E resisti. E insisti na minha ignorância. Fui, enfim, enredada.

Fui um frango oco com bisos e bisas e levantei minha cabeça pela crista, mantendo meu orgulho de servir ao fio frio da faca que me fez outro bicho.

Fui criança e brinquedo de lixo, lugar onde eu, as crianças e o narrador nos misturamos nada sem querer.
Fui casa sem esperança, amigo ciclope envolto em bombons, perdi minhas chaves indo embora onde maria não mora e terminei minha jornada agradecida esperando chover.

Foi uma jornada muito bonita. E se você quiser ser bisa, crista, chuva, casa, janela, maria, vem com ele.

Recomendo abrir o peito e alma. 





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