Adoro receber presente de ser apresentada a autores que não
conheço. Mas, como leitora, sou tacanha: 8 ou 80, amo ou odeio. Julgamento primário,
sentença zipt-zapt-blum. Este foi diferente.
Heyk Pimenta me intrigou.
Seus poemas me arrancaram da zona de conforto crítica: um
senso de desacerto quase me fez desistir na primeira miragem. Eu não acertava o
passo, ritmo desacertado, a crítica querendo pular linhas e parando no trem do
esteio. E uma vontade danada de ir adiante.
Eu li. E resisti. E insisti na minha ignorância. Fui, enfim,
enredada.
Fui um frango oco com bisos e bisas e levantei minha cabeça
pela crista, mantendo meu orgulho de servir ao fio frio da faca que me fez
outro bicho.
Fui criança e brinquedo de lixo, lugar onde eu, as crianças
e o narrador nos misturamos nada sem querer.
Fui casa sem esperança, amigo ciclope envolto em bombons,
perdi minhas chaves indo embora onde maria não mora e terminei minha jornada
agradecida esperando chover.
Foi uma jornada muito bonita. E se você quiser ser bisa,
crista, chuva, casa, janela, maria, vem com ele.

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