domingo, 28 de dezembro de 2014

A penúltima palavra

Vento doce e frio que arrepia a nuca e bebe cachaça. Sorri. Flor do tempo perdido que parece recém-florida. Justiça feita aos condenados e condenação dos inocentes. Sorri. Ela brinca de ser irmã. A faceira tem facetas ásperas e pele de veludo tem na verdade toque de casca seca de cobra. E sorri. 

É salgada e sorri e faz que vive um dia de cada vez, mas é onda do mesmo mar, só vai e volta batendo na pedra mole em água dura que perfura e desmente a semente do verde pretenso plantado em visco. Olhos de vidro diamante de amálgama fóssil, uma imitação canastrona dos ruídos, um arremedo pobre da colagem alheia, forjada em vícios vicejando inovações antigas de gregos muito mais livres que a sua despenada alma. Corre riscos óbvios de simplicidade tosca, observa e redime e lava os pés dos pobres com tom de raiva humilde, cheia de sina e de pretexto, numa falsa entrelinha riscada por um editor ruim.


O que se deu foi herança queimada em fogueira de fogo-fátuo azulada de intriga num passado de pena a torturar um presente simplório e um futuro de dar dó. Pena é tão triste quanto pipoca gourmet. E ela nunca vai passar disso. 


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