segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Futuro nº6



Eu sou o ocaso.
Sou a sombra dos galhos nus no inverno.
Sou a brisa quente na manhã pós-porre.
Sou a espuma da onda que sobra na linha d’água.
Eu sou o impossível.
Sou os pesadelos que a insônia prevê.
Sou o carro defeituoso do Tivoli Park.
Sou o extremo do vício,
Sou tua abstinência.
Sou a água fria no músculo rígido,
Sou a costura enfiada na desconfiança,
Eu sou a meia furada em público.
Eu sou a água que evaporou fervendo,
Sou a corda que arrebentou no show,
Eu sou o círculo da saia branca,
Eu sou o último gole.
Eu sou o acaso.
Sou a Nova Iorque da tua jihad.
Sou a ponta do novelo,
Sou a corcunda do camelo,
Sou a pedra da fome,
Sou através.
Eu sou o óbvio.

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