sexta-feira, 28 de maio de 2010

Susto vazio

Não é sem receio que escrevo.

Não é espontâneo, nem caso pensado.

É mais espanto, susto congelado,

que obriga a fazer o que não devo.


Cada dia que passa, cada hora moldada

transformou-se em hora perdida, escoada,

como bolas de prata flutuando no vazio,

vento quente barrado pelo frio.


A aflição desdobrou-se noutra dimensão

quando sentei os pensamentos na calçada:

perto do tempo infinito do lado de dentro,

o que voa por fora não serve pra nada.

3 comentários:

Julio Zartos disse...

É dor suspensa em morfina...

Ana Blanc disse...

A criação de um poeta como vc se impõe por si só e nada há a fazer a não ser deixar escoar...
E a nós, seus leitores, nos cabe ir junto na emoção. Te amo muito.

B. disse...

Suspende, Julio, suspende... E olha lá a chave, hein?

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