terça-feira, 6 de setembro de 2005

DOS MEUS SILÊNCIOS

Dulce Pontes - Canção Do Mar
Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

Já são semanas, meses de mutismo absoluto, de imobilidade construída, de imperturbável abstenção. Meses de estranhamento. A verdade é que ando me privando de meus próprios pensamentos. Tenho deixado a mente como uma jangada perdida no meio do oceano em plena tempestade, torcendo apenas pra que o dia acabe, pra dar conta das coisas básicas, de comer, de dormir ou não, limitando a existência a tal simpleza que mesmo banais decisões de termos e construções, inerentes à escrita, me são custosas.
Silêncio pra não falar de coisas várias. Silêncio pra distância dos amigos; pra morte aburda, violenta, irreparável e inestancável do meu irmão; pra incompetência; pra saudade do Edu e da Dani – ah, meus parâmetros... - do Estephanio’s e da Marcela, da Lu, da Beth, do Fé e da Brinco, do Cachorro (achei um livro dele até) e da Cris, do Dedeco, Branco, Zé, da turma toda, todo mundo, do Erasmo e do Léo; silêncio pra decepção com o PT, meu primeiro delírio de ser sujeito histórico; pra falta absurda que meu pai me faz há dez anos, todo dia; pra falta até hoje imperdoável na formatura da vó Emília; pra incompetência...
Mas a Conspiração Universal não me deixa em paz. Sei lá se é benção ou praga. É fato. E esse final de semana, uma inacreditável excursão a um paraíso perdido, me deu o que pensar, logo eu que não queria pensar nada, logo eu que achei que podia ficar disfarçada da vida num canto, fui obrigada a tirar a máquina de delírios da inércia. Vou contar direitinho depois a parte factual dessa viagem pra Ilha Grande com meu pai, Dodô, Bel, Milena, Tati, sobrinhos, tios e a impagável turma do Bar da Maria. Prometo que conto. Depois. Primeiro eu queria pagar meus silêncios. Licencinha...

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