sexta-feira, 9 de junho de 2006

Grande Desejo

Adélia Prado
Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.

Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.

3 comentários:

wholesalefragrancelp disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Ai voce postou pesado!!!
Veja esse comentario do Blog:
http://www.retalhosdotempo.blogger.com.br/2005_05_01_archive.html
17.5.05

Ontem vi o filme sobre a vida da escritora Sylvia Plath; que vida atormentada ela tinha, extremamente passional, principalmente em relação ao marido, o poeta Ted Hughes.

Depois do filme fiquei pensando que essa é uma característica recorrente entre as mulheres escritoras. Florbela Espanca também era passional no amor e na vida. Virgínia Woolf ficou louca. A nossa Clarice Lispector parece que não vivia neste mundo, em suas cartas para Fernando Sabino ela escreveu como se vivesse fora da nossa realidade, quem já leu os livros dela pode comprovar isso, são ótimos, mas um tanto quanto loucos... Drummond, escrevendo sobre Cecília Meireles, disse "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos". Lya Luft escreveu os mais belos poemas após a morte do seu amado, o também escritor Hélio Pelegrino, como neste poema:

O Lado Fatal

Insensato eu estar aqui, e viva. O rosto dele me contempla vincado e triste no retrato sobre minha mesa; em outros, sorri para mim, apaixonado e feliz. Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.
Vou à janela esperando que ele apareça e me acene com aquele seu gesto largo e generoso, que ao acordar esteja ao meu lado e que ao telefone seja sempre a sua voz.
Sei e não sei que tudo isso é impossível, que a morte é um abismo sem pontes (ao menos por algum tempo).
Sobrevivo, mas pela insensatez.

Nessas escritoras que andei pensando, o sofrimento era o pavio que as fazia escrever tão belamente, quanto mais estivessem afogadas em dor, mais belas palavras surgiam de seus dedos.

Porém, contrariando essa teoria, duas escritoras se destacam por conseguir escrever belamente e longe do sofrimento: Adélia Prado e Íris Murdoch.

Da Adélia já postei vários poemas em que ela fala de sentimento, de coisas simples, que não remetem à dor, ao contrário, despertam sorrisos. No ano passado vi um recital de poesias com ela, cabelos brancos, voz suave, emanando uma força incrível!

Pela Íris Murdoch apaixonei-me através do filme com o mesmo nome, que já vi diversas vezes e sempre me emociono, belíssimo. Infelizmente não consegui ainda ler nenhum livro dela, motivo: não há livros dela traduzidos para o português! Nas bibliotecas da UFMG há vários livros dela, porém todos no inglês e como o meu inglês é "porco" não há meios, ainda, de lê-la...

É triste pensar que para o nosso deleite de leitor, é necessária tanta dor destas mulheres maravilhosas...

Vejam os filmes, são ótimos:
- Íris - (diretor: Richard Eyre - 2001)
- Sylvia - paixão além das palavras (diretora: Christine Jeffs - 2003)
- As horas - (diretor: Stephen Daldry - 2002)

E, claro, leiam os livros, são melhores ainda.


contado por mim 10:06 AM Contaram (10)

12.5.05
E, mais o que postou dias antes:
5.5.05

Ensinamento
[Adélia Prado]

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Gosto de ler Adélia Prado, caminhar com os olhos na simplicidade das suas palavras, apreender o seu jeito simples de escrever poesias falando de sentimento, da vida, do amor, como no poema Para o Zé, o mais belo entre todos os poemas de amor. "O que a memória ama fica eterno."

Eterno... terno... terno.. terno... terno...
O que é eterno, Adélia?


contado por mim 11:48 AM Contaram (16)

Sinceramente, Adelia nao havera ainda o verbo da poesia.
Joao

Anônimo disse...

Como voce postou pesado!
Veja esse comentario:
http://www.retalhosdotempo.blogger.com.br/2005_05_01_archive.html

17.5.05

Ontem vi o filme sobre a vida da escritora Sylvia Plath; que vida atormentada ela tinha, extremamente passional, principalmente em relação ao marido, o poeta Ted Hughes.

Depois do filme fiquei pensando que essa é uma característica recorrente entre as mulheres escritoras. Florbela Espanca também era passional no amor e na vida. Virgínia Woolf ficou louca. A nossa Clarice Lispector parece que não vivia neste mundo, em suas cartas para Fernando Sabino ela escreveu como se vivesse fora da nossa realidade, quem já leu os livros dela pode comprovar isso, são ótimos, mas um tanto quanto loucos... Drummond, escrevendo sobre Cecília Meireles, disse "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos". Lya Luft escreveu os mais belos poemas após a morte do seu amado, o também escritor Hélio Pelegrino, como neste poema:

O Lado Fatal

Insensato eu estar aqui, e viva. O rosto dele me contempla vincado e triste no retrato sobre minha mesa; em outros, sorri para mim, apaixonado e feliz. Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.
Vou à janela esperando que ele apareça e me acene com aquele seu gesto largo e generoso, que ao acordar esteja ao meu lado e que ao telefone seja sempre a sua voz.
Sei e não sei que tudo isso é impossível, que a morte é um abismo sem pontes (ao menos por algum tempo).
Sobrevivo, mas pela insensatez.

Nessas escritoras que andei pensando, o sofrimento era o pavio que as fazia escrever tão belamente, quanto mais estivessem afogadas em dor, mais belas palavras surgiam de seus dedos.

Porém, contrariando essa teoria, duas escritoras se destacam por conseguir escrever belamente e longe do sofrimento: Adélia Prado e Íris Murdoch.

Da Adélia já postei vários poemas em que ela fala de sentimento, de coisas simples, que não remetem à dor, ao contrário, despertam sorrisos. No ano passado vi um recital de poesias com ela, cabelos brancos, voz suave, emanando uma força incrível!

Pela Íris Murdoch apaixonei-me através do filme com o mesmo nome, que já vi diversas vezes e sempre me emociono, belíssimo. Infelizmente não consegui ainda ler nenhum livro dela, motivo: não há livros dela traduzidos para o português! Nas bibliotecas da UFMG há vários livros dela, porém todos no inglês e como o meu inglês é "porco" não há meios, ainda, de lê-la...

É triste pensar que para o nosso deleite de leitor, é necessária tanta dor destas mulheres maravilhosas...

Vejam os filmes, são ótimos:
- Íris - (diretor: Richard Eyre - 2001)
- Sylvia - paixão além das palavras (diretora: Christine Jeffs - 2003)
- As horas - (diretor: Stephen Daldry - 2002)

E, claro, leiam os livros, são melhores ainda.


contado por mim 10:06 AM Contaram (10

Mais interessante que dias antes:

5.5.05

Ensinamento
[Adélia Prado]

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Gosto de ler Adélia Prado, caminhar com os olhos na simplicidade das suas palavras, apreender o seu jeito simples de escrever poesias falando de sentimento, da vida, do amor, como no poema Para o Zé, o mais belo entre todos os poemas de amor. "O que a memória ama fica eterno."

Eterno... terno... terno.. terno... terno...
O que é eterno, Adélia?


contado por mim 11:48 AM Contaram (16)

4.5.05

Adelia eh esta estrela que sabemos que esta lah e que por alguma das razoes ela brilha para nos e um grande abraco Mariana.
Joao

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