PS: Antes que eu me esqueça: "minha filha" é a putaquiupariu.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Saudação Cruz-maltina
PS: Antes que eu me esqueça: "minha filha" é a putaquiupariu.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Mudança dos Ventos
Canta: Nana Caymmi
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
Ah, vem cá, meu menino
Do jeito que imagino
Me tira essa canseira
Me tira essas olheiras
A mudança dos ventos
Pra me sentir com forças
Prá me sentir mais moça
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
Do jeito que imagino
Me tira essa vergonha
Me mostre, me exponha
Me tire uns 20 anos
Deixa eu causar inveja
Deixa eu causar remorsos
Nos meus, nos seus, nos nossos...
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Verniz
Voz: Fabiana Cozza / Composição: Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro
Sei que não é direito,
Desejo nunca deu paz,
Mas deixa ardente o leito.
Eu sempre fui mesmo assim,
Sou meio insatisfeito.
Não é um retrato de mim,
Mas é o mais perfeito.
Com o sonho acordo
Porque com a ilusão me deito.
A vida é mais que um prazer,
Mas, como vem, aceito.
Não trago nos olhos meus
Nenhum amor desfeito.
A ausência não é um adeus,
Mas causa o mesmo efeito.
Eu tenho mágoa de amor,
Mas tudo tem seu jeito.
O tempo não cura a dor,
Mas enverniza o peito.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Ainda
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Sorrateiramente
Desmentido
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Solvência
sábado, 24 de julho de 2010
UM CENTÍMETRO E MEIO
Com ela dá pra comprar um pão
E matar a fome.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
ACALANTO DO AMOR PRA SEMPRE
domingo, 11 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Furto
Transitória e de passagem,
ela observa
estática
a paisagem
em movimento.
Mesmo parada,
o dia continua indo,
a noite continua vindo,
e não há maré que
nessa hora
se interrompa porque
o tempo da moça
não é pra agora.
Há que mover e partir,
sem adeus formal
cristalizado –
que nem é mais
necessário.
Achado o adeus implícito
da descrença e
do descaminho,
está forjada,
e temperada,
a partida
mais exuberante,
pelos sonhos indomados
e tão falantes
(reais depósitos
de desatinos,
que esfacelam até
a mudez determinada
dos silêncios cabotinos
e transformam propósito
em talante).
É na despedida calada
que o tempo, caprichoso,
expõe a face veraz e petrificada
das decisões equivocadas.
É no vazio da inanidade
que nos são roubadas,
por outros mais vorazes,
as razões e as mulheres mais amadas.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
CONTAGEM DIGRESSIVA
e vê, então, pulsar em todas as coisas o meu sangue.
Rega tuas pausas com espelhos
e repara a tua ausência...
Afeiçoa teus sonhos em nuvens:
sente meu medo.
Rasga os desvios a faca
e prova o gosto dos meus gestos.
Cubra de musgo a sua fome,
evolva-se em música,
triture os relógios da casa,
ouça nada além da simplicidade,
e entenda, finalmente,
o tamanho da minha saudade.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Through drowning
marchavam os lírios
em hipnose
pelos campos cegos do delírio
cruzavam arais de sombra
avançavam
em carne viva de sal.
Pelo corredor
sussurravam as teias de aranha
monocórdias e fatais
como a vinda
de outra noite,
dolorosas como hibernar,
náufragas do tempo.
Lágrimas de gafanhoto
e visco do silêncio
das cigarras
desgrudam-se
das paredes
e ouvem-se
raízes claustrofóbicas
condenadas
pelas sementes
a não ser galho
jamais.
De um
lado
de outro
canto
de dentro
luz.
Foi quando,
num gesto simples,
ele fechou as cortinas.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Vício e paixão
Sair de vez, sem ter talvez,
só assim dá pra esquecer.
Vício e paixão só se deixa,
infelizmente, de uma vez,
e é ruim de perceber.
Nem sei como dói,
mas quero tentar.
Se suportar dessa vez,
nunca mais penso em voltar.
Quando o amor perde o sabor
e o fel toma o lugar,
isso é ruim,
esse mel como querer cristalizar...
Nós devemos concordar.
Não vê que acabou?
Ficar é penar...
É bem melhor pra nós dois
se não dá pra disfarçar.
O bonde da ilusão passou ontem por nós
e nem sequer parou,
partiu pra nunca mais.
Vazios de amor,
ficamos por aqui.
Então pra que esperar
se não dá mais pra seguir?
Sair de vez, sem ter talvez,
só assim dá pra esquecer.
Vício e paixão só se deixa,
infelizmente, de uma vez,
e é ruim de perceber.
Nem sei como dói,
mas quero tentar.
Se suportar dessa vez,
nunca mais penso em voltar.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Susto vazio
Não é espontâneo, nem caso pensado.
É mais espanto, susto congelado,
que obriga a fazer o que não devo.
Cada dia que passa, cada hora moldada
transformou-se em hora perdida, escoada,
como bolas de prata flutuando no vazio,
vento quente barrado pelo frio.
A aflição desdobrou-se noutra dimensão
quando sentei os pensamentos na calçada:
perto do tempo infinito do lado de dentro,
o que voa por fora não serve pra nada.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Canto de acordar
E eu?
Eu não era cais. Era mar.
Quantas galés afundaram
E eu?
Eu não era mar. Era o Vento.
Quantas jangadas lançadas
E eu?
Eu não era espaço. Era o Tempo.
Quanta ampulheta virada
E eu?
Eu não era areia. Era medo.
Tantas pegadas marcadas,
Tanta mancha roxa,
Tanta porrada,
E eu não era o rosto. Era o tapa.
A vida deixando as marcas na memória
E eu?
Eu sou história.
domingo, 2 de maio de 2010
DEFENSORIA
Não lamente o que não viu sangrar.
Não ressinta o que jamais restou,
não me peça um pouco mais do que acabou...
Não ajunte os sentimentos maus,
Não desminta o bem que me negou.
Esqueça de outro verso do passado,
Ponha a culpa de lado,
Apague o que passou.
Cerre os dentes, em silêncio,
Engula a raiva
De me ver acalentada
Noutro amor sem ser o teu.
Foi pouco, foi por pouco,
Quase nada.
E agora, acostumada, sigo a estrada.
Mas já sei
O castigo, o pior,
O mais antigo:
No couro em que nascer, o asno há de morrer.
São cores, são dores,
Do amor que não me deu.
São flores, amores
Que jamais terás nos braços meus.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Uma Canção Inédita
Dentro do seu coração
Guarde esta canção inédita
Que num cantinho intocado
Será pra sempre inédita
Pode tudo consumir
O tempo que passa feroz
Mas esta valsa há de deixar pra nós
Fiz uma canção discreta
Só para você
Ninguém pode saber da letra
Que você lê
A música você desfruta
Os ouvintes não
Penetra a orelha e sai por outra
Cada refrão
Se outro amor surgir um dia, a valsa perde o ar
Definha
Mas se você descabeladamente me esperar
Sozinha no breu
Pé ante pé
Abra aos poucos o coração
E deixe
Ecoar nossa canção
E feche
Venha ouvir a valsa oca
Em primeira mão
Que a luva distraída toca
No violão
O público não acredita
Crítico não crê
Na inédita canção escrita
Só pra você
Se você beijar um outro, pode se partir
A valsa
Mas se roendo-as-unhasmente me quiser ouvir
Descalça no breu
Pé ante pé
Abra o peito bem devagar
E deixe
Sete notas a vibrar
E feche
Guarde numa caixa preta
A tímida canção
No fundo falso da gaveta
Do coração
É valsa pra se ouvir por dentro
Pra se ouvir a sós
Pra não se dissipar ao vento
Com minha voz
Com minha voz...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Continente
Como uma viagem no seio do tempo,
No ventre do espaço,
Como um furacão na poeira,
Um tsunami na praia,
Uma miragem no deserto.
Como a bala de prata
Do filme de caubói.
Como o lenço branco
Do pedido de paz.
Como o medo surdo
Do clandestino,
Como a dúvida –
Sempre atroz.
Como um passo, um laço, um navio.
Puro e sujo como água,
Verde e morto como África,
Você é continente...
O futuro que eu não viverei,
Meu único presente.
Por você, esgarço flancos,
Mordo em fúria imanente.
Por você, eu perco lastro,
Indolente.
Por você, lamentarei.
Eternamente.
domingo, 8 de novembro de 2009
Duas (e só duas) lágrimas por isso.
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Ajudinha
A Vivi Fernandes achou o que eu perdi:
Já era
mas cadê vontade?
Era pra ter sido uma noite sem bebida,
mas cadê coragem?
Era pra eu esquecer o teu cheiro,
mas ele é tão bom...
Era pra eu não reconhecer a tua voz,
mas eu ainda me arrepio!
Era pra eu ficar em paz,
mas você é muito atento.
Era pra eu não querer te ver nunca mais,
mas nunca mais é muito tempo.
