sexta-feira, 26 de maio de 2006

::: sem parar: Ain't No Mountain High Enough


Marvin Gaye


Listen Baby...

Ain't no mountain high
Ain't no valley low
Ain't no river wide enough baby

If you need me call me
no matter where you are
no matter how far (don't worry baby)
just call my name
I'll be there in a hurry
you don't have to worry

'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you babe

Remember the day
I set you free
I told you
you could always count on me darling
From that day on
I made a vow
I'll be there when you want me
some way somehow

'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you babe

Oh no darling (no wind, no rain)
All winter's cold can't stop me baby
(if you're ever in trouble
I'll be there on the double
just sing for me)
ooo baby

My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart

If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
just as fast as I can

terça-feira, 23 de maio de 2006

Boas Novas

SOBRAS REPLETAS (clica pra saber!)


É ou não é uma ótima notícia?
De alegrar o coração!!
Tem uma provinha chiquérrima, só o Chico Buarque só, aqui. :)

E pra continuar comemorando, tem Antonieta:

ANTONIETA NA GAFIEIRA (clica pra ouvir!)

Maurício Tapajós, Paulo Emílio e Aldir Blanc

Antonieta no boogie ou no tango,
no mambo-jambo ou chá-chá-chá.
É frevo, é choro, é no fox-trote,
no xote, baião, lundu, no maracatu
nas habaneras, boleros, no roquinrôu,
batuque, coco, hino, ê-baburiba, soul,
maxixe, polca, quadrilha, forró
- pra ela tanto faz a influência do jazz, rapaz...

Antonieta é do sambalelê,
das folias de Reis, de afoxés.
Antonieta é do boi de mamão,
da maruja, dos ticumbis e dos pastoris,
da capoeira, cambinda, bumba-meu-boi,
do fado, vira, fandango, do caboclim...

- Se javier com um quente,
ai meu Deus, não há cugat que aguente!
(também assim já é demais, Antonieta)


Ô ansiedade, modêussss...

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Bobagens irresistíveis

Leia as instruções da Dieta do Gordo e divirta-se:

REGRAS BÁSICAS:

1. Se você come e ninguém vê, a comida não tem calorias.
Sem provas não há crime.

2. Se você tomar um refrigerante diet junto com uma barra de chocolate, as calorias da barra de chocolate são canceladas pelo refrigerante.

3. Se você comer de olhos vendados, pode engordar o quanto quiser que nunca vai ter um enfarte: o que os olhos não vêem o coração não sente.

4. Ande só com gente gorda e procure engordar todo mundo a sua volta, você parecerá mais magro.

5. Comida de cinema, como pipoca, supra-sumo, jujuba e MMs, não é considerado como comida e vai pra categoria cultura.

6. Biscoito quebrado tem menos caloria, pode comer à vontade.

7. Quando você lambe uma colher de doce, as calorias não podem ser contadas, porque por justiça, elas pertencem ao prato e não à você.

8. Comida gelada, como sorvete, não pode ser considerada calórica, porque caloria é medida de calor e sorvete nunca é quente.

9. É um mito que verdura emagrece. Elefante é herbívoro.

10. Não fique chateado se você passar a vida gordo.
Você terá toda a eternidade pra ser só osso!

Então, frase do dia: NÃO FAÇA MAIS DIETA!!
Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!!

Você tem pneus??? Lógico, todo avião tem!!!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Poema do dia ::: Da série "Gato e Rato: pra você vir me visitar"


Eu minto...
Martha Medeiros
eu minto, confesso
me faço de boba, verdade
escondo a idade, me calo,
me sinto tão mal, um inferno
represento um papel, principal
sou mesmo uma atriz, infeliz
quem diz que eu não quero, eu consigo
viver por um triz, enlouqueço
te esqueço e te mato, te amo
atrás de um muro, qualquer
outro dia amanheço, de novo
e falo bobagens, pudera
não sou tão sensata, avisei
sem nada de mais, me despeço

Poesia Reunida, L&PM Editores, 1999 - Porto Alegre, Brasil

sábado, 6 de maio de 2006

Do outro lado da rua


Trilha: Melodia em lá menor – Tom Jobim e Astor Piazzolla (clica!)



Duas pequenas linhas se encontram com outras duas maiores e formam na calçada o desenho de um pássaro sem asas. Idéia besta, pássaro sem asa. Por que não ver borboleta, pavão, flor? Todo mundo sempre vê coisa bonita em rabisco e ela só via coisa engraçada. Pássaro sem asa devia ser galinha. Idéia besta. Mania de olhar pro chão, para as rachaduras do chão, para o craquelê do piso, reparar no desajuste harmonioso da rua de paralelepípedo e nos matinhos que crescem entre uma pedra e outra. Nuvem também. Adivinhar desenho de nuvem, ficar perdida no reflexo que a luz inclinada do outono deixa nas nuvens, brancas, cheias, cinzas, nuvens desenhadas, amarelas de sol. A desfolha das árvores cobre a calçada. E o pensamento, livre como só os devaneios permitem, passeia em pequenezas. No outono, os pensamentos amiúdam.

Uma rajada de vento, uma criança gritando, duas rajadas de tiro, a consciência retorna para o real, ainda não além da ponta dos sapatos, ensaiando retomar a caminhada. E ela o vê. Do outro lado da rua, um desconhecido vem andando na calçada.

Primeiro o ar adensa... e depois falta. Sente os braços pesados, os pulmões sumiram. O mundo pára, o tempo suspende e depois entra em slow motion. Ele vem na direção contrária, a passos firmes, com olhar preso num ponto à frente, como um objetivo. Alto, galhardo, de uma beleza estranha – que não é assim assombrosa, mas doída e pura como uma hegeliana certeza. Que a atingiu em cheio.

Ela, com dez anos, no pedalinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, petrificada de medo de cair na água, mas com o olhar fixo no submerso cheio de peixinhos, sereias e tritões, convidando pra pular. Era ele.

Pisca os olhos uma vez, devagar, tentando respirar um pouquinho. Ele ainda caminha e consulta as horas no relógio de pulso. As mãos, de homem. O antebraço, de homem. O colarinho da camisa, o pescoço, a curva da mandíbula, o presumível perfume. A boca, igual, igual a daquele estranho que aparecia em seus sonhos: agachado ao lado da cama, passava as mãos nos cabelos dela e tocava suavemente a boca em sua testa dizendo “dorme, eu estou aqui; dorme, espera que eu estou chegando”.

Ela com treze anos na colônia de férias fingindo não achar um par de meias, matando o tempo, evitando ir até o refeitório com medo de ser rejeitada, excluída, pressagiando os maiores ridículos. Era ele.

Pisca mais uma vez e o coração se acelera com a falta de ar. Ele vira lentamente a cabeça e... olha pra ela! Não, na direção dela. Não, através dela. Não, não, apenas ao redor...

Ela na faculdade diante da folha de prova em branco, a folha, as respostas, branco, temendo o resto da sua vida em branco, cada resposta, cada décimo traçando à revelia o seu caminho imanentemente. Era ele...

Pisca agora lágrima. O desconhecido já vai de costas, o mesmo passo firme, constante, sua altivez, levando embora os sonhos, os delírios de menina, heróis de novela e vilões de contos de fada, Narizinho no Reino das Águas Claras, desvelo.

Súbito, ele estanca. Respira fundo com alguma resignação e olha pra trás. Observa a moça atônita na calçada oposta, intrigado. Move o olhar para as nuvens douradas, para o chão, de volta para a moça e, com certo afago, sorri um entendimento mágico. Ele então abaixa a cabeça, fita um ponto perdido no meio da rua e se desvira, seguindo adiante, com o mesmo passo firme, constante, decidido.

A moça ficou em suspenso ainda alguns minutos, entre atônita e perplexa, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Quando finalmente conseguiu reconduzir-se, reparou que na calçada as linhas rachadas formavam a silhueta de uma mulher nua.

Tantos momentos preparatórios desses pouco mais de trinta segundos, e ela ainda assim não estava pronta pra vê-lo, perdê-lo e ter que seguir com a certeza de não tê-lo jamais. E, ainda assim, nada seria o mesmo novamente.

Comentários

Perdi todos. Adeus.
Antigamente (?!) o Blogger tinha um sistema de comentários terrível. Aí eu coloquei outro. Mas descobri que nesse novo eles venciam, e depois de um tempo, sumiam!
De malcriação, voltei pro sistema original. Vou tentar recuperá-los depois e colar de volta... Ou não.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Caríssimo Szegeri

Perdoe a carta aberta, mas é um pouco por isso que essa pequena página tem esse nome, Cartas de Hades, e é nesse reino que estou agora, sofrendo de quilômetros.

Me disse a Vera Mello há uns dias: “amizade não tem limite, mas as pessoas têm”. A Vera é uma dessas pessoas que dizem verdades contundentes, estranhas, corretíssimas e, vez por outra, justo as que a gente não quer ouvir. Eu chego mesmo a me perguntar se ela existe, ou se eu inventei uma assim pra mim de medo de alucinar...

E eu preciso acalmar meu pequeno e arredio coração. Sempre fui pessoa parametrada. Tenho compulsões atávicas, medos incapacitantes e pensamentos moldados como embalagens de café à vácuo. Agora mesmo, enquanto escrevo, ouço, com uma vontade estranha e quase incontrolável de chorar, a Marisa Monte cantar “Vilarejo”. Parece que eu engoli um redemoinho, um bicho ensandecido da tasmânia, acho que comi um gremilin. Nem adianta falar da letra, eu tão palavra as ignoro solenemente, é a melodia, é a melodia, é a melodia... panãnãnãnãnã...

Onde eu estava? Ah, sim. A Vera falou. Disfarcei, acho mesmo que mal, meu desconforto com raciocínio tão simples. Tinha eu acabado de fazer um discurso sobre “se fosse meu amigo não faria isso”, blábláblá. E ela saiu-se com essa.

Entrei num diabo do tal parafuso de quilômetros. Os quilômetros me esgarçam como rosa dos ventos, puxando pra todos os lados e eu, péssima porém deslumbrada aluna de física, fico atrapalhadíssima no mesmo lugar. Meu irmão tem feito muita falta esses dias.

Como o texto do Braga que você publicou, estou agora revirando os bolsos da mente atrás de níqueis pra ir, não de avião, e sim montada num narval, atrás das minhas desimportâncias.

Beijo com saudades.

domingo, 19 de março de 2006

***

And since you know you cannot see yourself,
so well as by reflection, I, your glass,
will modestly discover to yourself,
that of yourself which you yet know not of.

William Shakespeare

sexta-feira, 10 de março de 2006

Procura-se

Coisas que só acontecem comigo: ganhei de presente e quem me deu pediu de volta!! :)
Eu sei, eu sei, tá esgotado...

Ficção Completa de Guimarães Rosa
Nova Aguilar.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Cause and effect


Charles Bukowski

the best often die by their own hand

just to get away,

and those left behind

can never quite understand

why anybody

would ever want to

get away

from

them

terça-feira, 7 de março de 2006

Enteléquia ou Juris et de jure

...eu juro que eu não queria que fosse assim, sempre foi tão importante na minha vida, me faz uma falta absurda, mas e quando sou eu que canso, quando sou eu que não agüento mais, quando sou eu que desmorono, quando a voz não alcança nem pedir socorro, quem vem com riso doce me abraçar, quem me faz rir de piada besta, quem me conta causo esdrúxulo, quem me põe pra passear em carrossel de canudinho, com guarda-chuva e tudo, quem me cobre de promessa, quem me abandona sozinha no exercício do fim-do-mundo, quem me só tem pena, eu sei, eu sei que essa é que sempre foi a verdade, o tal atual presente com sabor antigo tão distante agora é que era fantasioso, imagina, interessado no que eu dizia, sendo amigo de uma pessoinha tão pequena, desinteressante, incompetente, dismórfica, tou pra ver projeto mais mal-feito e errado do que eu, e sempre foi lindo, até quando ainda não era lindo era, sempre teve sorriso de abraço e olho de vaga-lume, lume, lume, vago na memória, se meu irmão tivesse aqui me respondia, que ele era elegante, e ia saber contar direitinho tudo da frente pra trás, capaz até de ouvir dele o que não conseguiria ouvir de ninguém, e pior que eu errei foi tudo, quando achei demais me disse foi de menos, quando achei de menos me acusou de desmedida, quando fiquei quieta fui estranha e quando estrilei era tarde, e, faz favor, o título, poupe a ladainha.

Estás, meu amigo, coberto de razão, isto é um fato, porque ao contrário do teu coração enorme, que ainda consegues fazer crescer mais e mais a cada dia, ao contrário do teu, o meu desaprendeu de todo.

Eu nunca esqueço nada.




sábado, 7 de janeiro de 2006

ARTROSCOPIA

Aldir Blanc

Para Bel e Mariana, dupla de área

Ninguém faz mais arte
do que as articulações.
As minhas, por exemplo:
bastante arte, muitos cus,
poucas ações.
Espia só o joelho:
o espantalho do corpo,
o homem-lata de Oz,
o joelho é retrógrado
e atroz.
Diz que é pra frente.
Mente.
Joelho é reacionário,
dá pra trás,
encrenca,
trava.
Irado,
sempre com pressa
(da Alice, o Coelho?)
ou parado.
Art(r)ista do destrambelho,
não é joelho:
é pentelho!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

GUARDE UM DIA DE SOL

Carta Vieja, Syrah, Chile. 2002.

Dentro da taça o vermelho escuro cintila.
Desceu e subiu as escadas da casa vazia centenas de vezes, procurando um não-sei-quê. Ia olhando as paredes como se, de dentro do branco fastioso e hipnótico, fosse ver projetado um filme, em super-8, lembrando o tempo em que foram felizes juntos, só os dois. E agora, José, meu Deus, meus sais, minha nossa, e agora?
Na segunda taça, revirou pilhas de CDs, procurando, procurando... silêncio. Não tinha lamento compatível pra ser trilha de tanta dor. Lembrar de comprar trilhas de filme, são boas nessas horas.
Na terceira, discou o mesmo número umas cinco vezes. Só tentou realmente completar a ligação na última vez e ainda assim desligou antes de saber se ia chamar, se ele ia atender, se o maldito ia tocar ou não.
A quarta taça atinou a pergunta... a garrafa vai toda? E se não for, como guarda isso? Tá um calor, se sobrar é melhor pôr na geladeira, junto do Gatorade.
A quinta taça entornou um pouco na hora de servir, porque o tal super-8 piscou na parede. Era uma cena besta, que provavelmente nem aconteceu. Os dois riam, muito, muito, aos cochichos, enquanto sombras em volta faziam pequenos muxoxos e gozavam da falta de graça da piada que só os dois entenderam. O mesmo riso cúmplice ganha outro fundo e são os dois na beira de uma lagoa, cor de sépia e em dia de sol. O filme teimava em travar quando as lágrimas desciam e ela evitava a todo custo chorar, engolindo a ausência pra não perder a graça daquela cena infantil que era a cara do amor dos dois.
Na sexta taça ela simplesmente quis morrer. O despertencimento, que é, reparem bem, categoria totalmente distinta da perda, porque esta passa e o outro se arrasta pra sempre, faz parte de seu sempre. E se ele esquecer do Pequeno Príncipe e largar o coração dela por aí, numa mesa de bar ou noutro engano qualquer? O coração já tão castigado, coberto de hematomas e lanhos, vai parar certamente de bater.
Na sétima taça, chorou tanto, quis colo, acendeu dois cigarros ao mesmo tempo e deixou os dois queimarem inteiros e teve que acender um terceiro, sofreu, não pode, não pode...
Encheu a oitava taça e pensou que se ele guardasse desse amor um único momento que o fizesse sorrir com aquele conhecido calorzinho no peito, não teria sido tudo em vão. Pegou papel e caneta, escreveu um bilhete: “Guarde um dia de sol”. Colocou num envelope, com uma das muitas fotos guardadas dos dois, sempre cheias de tanto bem-querer. Desenhou uma rosa vermelha na frente e deixou sobre a cama. Serviu-se da nona taça, que bebeu aos soluços pra conseguir engolir todos os comprimidos tarja preta do estoque mantido na escrivaninha, segunda gaveta da esquerda, de baixo pra cima.



Jamais comente o passado, siga os conselhos de Dalva.
Não há xampu, não há creme, que apague ou que desmarque
da tua pele o meu beijo fedendo a conhaque...

(Dois bombons e uma rosa, no CD Vida Noturna, de Aldir Blanc)


Telegrama
Toledo, diz pro Marco Aurélio e pro Miguilho que o CD não pára de receber elogios. Eu sei que vcs estão tão orgulhosos como nós estamos. Eu amo vocês. Beijos pro Roberto, vê se faz chegar também pro Ronald e pro Gilberto. Fala pra Dona Helena que o cara é foda e que as rezas continuam chegando sempre, como não poderia deixar de ser. Té já.

VIDA NOTURNA

Como não consigo postar imagens, veja capa, listagem, links, matérias e fotos de estúdio em http://branca.multiply.com
Divirta-se! ;)

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Qual o diretor do filme da sua vida?


Quentin Tarantino

Your film will be 53% romantic, 29% comedy, 44% complex plot, and a $ 43 million budget.

Wow! What a life you have led thus far! Action-packed, anti-social with probably dark humor. Quentin hasn't really made many films, but each successive one is a bigger and grander project ... and more violent. Karate CHOP! Your life story will probably star Michael Madsen, Uma Thurman, or some TV or movie star from the 1980s for which your film will be the comeback -- let's say Emilio Estevez. Maybe. Now that the QT is dating Sofia Coppola, maybe he'll get some tips about putting some lump-in-the-throat romantic moments in his films. Quentin's short directing resume includes Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Jackie Brown, and Kill Bill Vols. 1 & 2.












My test tracked 4 variables How you compared to other people your age and gender:
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sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Té logo, Roberto...

Eu não agüento mais. Esse ano precisa acabar. É o quarto amigo que se despede em menos de seis meses. Chega...


http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=1222


O adeus a Roberto Moura

José Reinaldo Marques
27/10/2005



A mensagem de Tereza Cristina comunicando — “com uma dor profunda no coração e na alma” — o falecimento do marido, Roberto M. Moura, e convidando para o velório no Memorial do Carmo pegou de surpresa os amigos do jornalista, que, aos 58 anos, morreu ontem no Rio, vítima de dengue hemorrágica.

Sócio número 1.672 da ABI, onde ingressou em 1977 e também era membro efetivo do Conselho Deliberativo, Roberto Moura faleceu às 20h no Hospital São Lucas, em Copacabana, onde havia sido internado.

Além de sua mulher, do casal de filhos e outros parentes, compareceram ao funeral de Roberto, no Cemitério do Caju, dezenas de amigos, alunos e ex-alunos das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), jornalistas e representantes da ABI, como o Presidente da entidade, Maurício Azêdo; a Diretora de Jornalismo, Joseti Marques; e os Conselheiros Sérgio Cabral, Amicucci Gallo, Domingos Xisto e Chico Paula Freitas. Joseti Marques lamentou a perda do amigo e lembrou que o diagnóstico de dengue hemorrágica deve levar os jornalistas a se empenhar em uma pauta investigativa para saber como foram empregadas pelo Estado e o Município as verbas do SUS destinadas à prevenção de epidemias da doença, que geralmente ocorrem no verão:
— Perdemos o Roberto, que era nosso amigo querido, mas temos que continuar nos preocupando com aqueles que não conhecemos e dos quais o jornalismo se ocupa.

Também estiveram presentes músicos, produtores culturais, pesquisadores e professores — entre eles a museóloga Lygia Santos, filha de Donga, e o jornalista José Carlos Rego, ambos membros do júri do Estandarte de Ouro do Globo, que Roberto integrou por 28 anos; o compositor Sílvio da Silva Júnior; o violonista Cláudio Jorge; e Moacyr Luz, que comentou:
— Eu teria muitas coisas para falar do Roberto, inclusive menciono no meu livro (“Nos butiquins mais vagabundos”) que ele foi o primeiro jornalista a citar meu trabalho como compositor. Era um grande amigo de bar, de samba e de projetos. Fizemos vários trabalhos juntos, como “O samba falado”, e atualmente ele estava cuidando do roteiro do show de lançamento do meu CD “Voz e violão” e do projeto “Sedução e voz”. Acima de tudo, Roberto era meu companheiro de toda hora, vou sentir muita falta desse parceiro que era a cara da cultura do Rio.



Muito emocionado, Sérgio Cabral exaltou o trabalho de Roberto Moura como pesquisador da MPB:
— Era um brilhante analista da nossa música e da cultura popular de maneira geral. Roberto conhecia o tema e escrevia sobre ele com absoluta profundidade.

Roberto M. Moura foi diretor de espetáculos, produtor e crítico musical. Atualmente, além de dar aulas nas Facha, era comentarista de programas da TV Educativa e colunista do ABI Online e da Tribuna da Imprensa. Mestre em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Doutor em Música pela UniRio, escreveu os livros “Carnaval — da Redentora à Praça do Apocalipse” (Jorge Zahar, 1986); “MPB — Caminhos da arte brasileira mais reconhecida no mundo” (Vitale, 1998); “Praça Onze — no meio do caminho tinha as meninas do Mangue” (Prefeitura do Rio/Relume Dumará, 1999); “Sobre cultura e mídia” (Vitale, 2003); e “No princípio, era a roda” (Rocco, 2004).

Para Iris Agatha, que foi sua “foca” no Diário de Notícias e colega no jornal Última Hora e na Rádio MEC, Roberto Moura foi “um grande mestre de brasilidade”. Para a também jornalista Zilmar Basílio, que foi aluna de Roberto na Facha, “esse carioca da Praça Onze fez da sua vida uma grande contribuição para a cultura da cidade do Rio de Janeiro e deixou marcas importantes dessa mesma cultura para o nosso País”.

domingo, 23 de outubro de 2005

SIM OU NÃO SEM TALVEZ

E que ninguém se engane: quem venceu não foi uma frente parlamentar, um publicitário competente, uma campanha agressiva, o conservadorismo, a direita, nem foi a esquerda que perdeu, nem uma campanha arrogante que jogou tudo por água abaixo, não foi a derrota da paz.
Esse referendo marcou a vitória do ruído.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

**suspiro**

Luís, o Filipe, mandou do Luís, de Camões e, pra variar, mesmo no escuro acertou em cheio.

MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

sábado, 8 de outubro de 2005

Puxadinho

O Cartas ganhou um puxadinho em http://branca.multiply.com
Lá tem álbum de fotografias, faixas dos textos com trilha sonora e outras coisitas más.
Divirtam-se.

terça-feira, 4 de outubro de 2005

What kind of kiss are you?

entrancing
You have an entrancing kiss~ the kind that leaves
your partner bedazzled and maybe even feeling
he/she is dreaming. Quite effective; the kiss
that never lessens and always blows your
partner away like the first time.

What kind of kiss are you?

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

À VIDA NOTURNA

Hugo Sukman
02/10/2005


Aldir Blanc grava disco e retoma histórica parceria com João Bosco

Quando João Bosco chegou ao estúdio o Aldir já estava lá. E também o Helinho com seu violão, o Cristóvão ao piano e o Mello, lápis, papel e prancheta em punho, desenhando tudo para uma futura capa.

Lá pelas tantas, depois de uns uísques já tinha até nego vendo a Elis lá, ouvindo tudo num canto, ou o falecido poeta Paulo Emílio chorando em outro, enquanto João e Aldir mandavam o samba em sua homenagem: “Eu gosto quando alvorece/Porque parece que está anoitecendo/E gosto quando anoitece que só vendo/Porque penso que alvorece/E então parece que eu pude/Mais uma vez outra noite, reviver a juventude/Todo boêmio é feliz/Porque quanto mais triste/Mais se ilude...”.

Não, isso não aconteceu em 1977 quando, no auge de sua parceria com Aldir Blanc, João Bosco gravou esse samba, “Me dá a penúltima”, no disco “Tiro de misericórdia”, com Hélio Delmiro na guitarra, Cristóvão Bastos ao piano e capa do artista plástico Mello Meneses (Elis Regina, principal intérprete da dupla, provavelmente passou no estúdio para visitar; Paulo Emílio, parceiro de João e Aldir, estava sempre por lá...).

Aconteceu, tudo inacreditavelmente como antes, ao anoitecer da última quinta-feira, num estúdio em Copacabana. Aldir Blanc gravava seu primeiro disco solo como cantor e seu parceiro João Bosco chegou para fazer uma participação. Ia cantar com Aldir e tocar, como fez, o samba- canção que dá título e conceitua o disco, “Vida noturna” (do LP “Galos de briga”, 1976). Mas veio de casa com essa surpresa, um arranjo novo de “Me dá a penúltima”, que acabou entrando no disco e fazendo todo mundo chorar ao fim da gravação rápida, impecável, de primeira.

— Depois dessa estou no limite emocional — confessou Aldir, do cubículo oculto no estúdio onde ficava seu microfone, ecoando o sentimento geral.

CD privilegia o cantor Aldir

Limite emocional viu-se a partir dali. Finda a gravação, João informalmente pegou o violão e surpreendeu a todos cantando a primeira música que ele e Aldir fizeram juntos após 20 anos da interrupção de parceria e amizade mais lamentada da história da MPB e que agora reencontrou de vez o prumo.

Trata-se do magnífico samba-canção “Mentiras de verdade” (letra ao lado), sobre a parceria dos dois, a briga e finalmente o reencontro. É primeira música que os dois fazem juntos desde a épica “As minas do mar”, de 1983 e lançada só em 87. “Quero esquecer de mim, ser mais você, menos do que eu...”, confessa Aldir, numa homenagem a essa forma de amor fraternal chamada parceria.

— As nossas parcerias transcendem o negócio da música — dizia Aldir, na conversa solta entre ele, João e seu mais constante parceiro atual, Moacyr Luz, aliás produtor e idealizador do seu disco solo. — Eu sou profundamente ligado aos meus parceiros. Se eu pudesse resolver a dor nas costas do João ou a dor na barriga do Moacyr, renunciando para isso a tudo que nós fizemos em música, eu não vacilaria um minuto.

“Mentiras de verdade”, que tem direito até a elegante citação a Tito Madi (“Mentira, foi tudo mentira...” ) não está no disco que Aldir acabou de gravar ontem. Estará junto com outras parcerias novíssimas da dupla, no CD de inéditas que João grava em fevereiro para o selo independente MP,B.

“Vida noturna”, o disco de Aldir, sairá ainda este ano pela Lua Discos, gravadora paulista que lança os discos de seu parceiro Moacyr Luz. A idéia de Moacyr, como o samba-canção-título indica, nasceu do convívio boêmio com Aldir.

— A gente tem a idéia desse disco há muito tempo — explica Moacyr ainda com a voz embargada pela experiência da gravação. — Quando todo mundo vai embora no fim da noite, vem o Aldir e pega o violão. E caramba, meu Deus, que histórias que ele canta. Histórias de noite, de chão. Aquele troço inusitado e espontâneo que há aí tinha que ser registrado.Além de “Vida noturna”, “Me dá a penúltima”, “Cordas” (com Guinga, já gravada por Leila Pinheiro), o bolero “Causa perdida” (com Rosa Passos, regravada por Alcione) e o clássico “Resposta ao tempo” (com Cristóvão Bastos, sucesso de Nana Caymmi), todas as outras músicas são inéditas. E inéditas de Aldir e parceiros muito em forma, o que fez João Bosco, depois de ouvir as novas músicas de Aldir, arriscar uma análise da obra do parceiro.

— O Aldir canta as histórias que ele inventa como ninguém — dizia João. — Ele observa o mundo que está em volta dele, a vida que está acontecendo e nada escapa ao Aldir. Ele faz isso com um brilhantismo de quem não teme a morte. Ele canta a vida o tempo todo e só utiliza a morte quando precisa dela para fazer um verso. A morte para ele é o trecho de uma calçada onde ele cai. A morte coincide com o paralelepípedo e é apenas um detalhe do cenário. Ninguém mais consegue escrever com essa total liberdade de alguém que não teme nada.

João se refere a coisas como o desmedido amor contido em “Dois bombons e uma rosa”, letra e rara música de Aldir, que diz: “Não há xampu, não há creme/Que apague ou que desmarque/Da tua pelo o meu beijo/Fedendo a conhaque”. Ou do soco-no-estômago “Lupicínica” (parceria com Jayme Vignolli) e seu cheiro de morte ao relembrar um amor por uma enfermeira do Salgado Filho “com a chama vital de Ana Karenina”: “Aquela mulher que dosava o soro nas veias dos agonizantes/Não teve sequer um calmante pra dor sem remédio/Que aflige os amantes”.

— Essas coisas acontecem num mundo blanquiano, único — diz João. — Essa poesia, essa generosidade, essa visão de mundo, essa loucura que mistura Tolstoi com esparadrapo, tudo isso é ele. E quando ele canta, canta assim.

Os parceiros, mesmo desfrutando da intimidade de ouvir Aldir cantar nas rodas boêmias, surpreendem-se de como ele está cantando bem.

— O Aldir nem precisava cantar como um cantor, ele é um criador e tudo se resolve a partir daí. Mas ele cantou como nunca vi em todos esses anos de convívio — testemunha Moacyr, emocionado com o fato de estar dando esse presente ao parceiro.

Mocyr concebeu um disco só de piano (sempre Cristóvão Bastos) e violão (normalmente João Lyra, mas com participações de Hélio Delmiro, Guinga e João Bosco nas suas composições), valorizando as músicas e o universo blanquiano. Como a primeira e histórica parceria de Aldir e Hélio Delmiro, “Constelação maior” (letra ao lado), uma lírica ode amorosa ao seu cachorro.

Aldir só gravara outros dois discos na vida, o histórico álbum duplo em parceria com Maurício Tapajós em 1985 e o CD comemorativo aos seus 50 anos em 1996. Emocionado depois de quase enfartar ouvindo o solo de Hélio Delmiro, Aldir tenta explicar por que resolveu sair da toca.

— Eu fiz 59 anos e tenho alguns problemas de saúde. Ao mesmo tempo minha vida nunca teve tanta beleza. Eu nunca gostei tanto de uma mulher como eu gosto da Mary (Sá-Freire, sua mulher há 20 anos, que chorava ao lado enquanto Aldir dizia isso). Eu gosto muito mais das minhas filhas, eu vejo também as duas que morreram em volta de mim. Eu tenho quatro netos que me suavizaram em relação a coisas que principalmente o João conhece bem, que é uma agressividade terrível. Eu fiz questão de vir aqui gravar o disco para que tudo isso não se perca.

Aos 59 anos, Aldir começa uma nova vida no auge da sua poesia e de sua voz, cercado pelos parceiros, até mesmo o que era impensável há tempos atrás, João Bosco. Os dois são prova de que sempre se pode começar vida nova.

Jornal: O GLOBO
Editoria: Segundo Caderno
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