segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

VALENTINE'S DAY

Trilha: Versões em “Meet Joe Black” – Love Theme & Somewhere over the rainbow, nessa ordem…

Hoje, 14 de fevereiro, milhões de pessoas na França, Canadá, México, Inglaterra e Estados Unidos estão comemorando o dia de São Valentim. Não sou a favor da importação de comemorações estrangeiras, acho até que o 31 de outubro devia ser o Dia do Saci, mas essa festa de hoje tem seu charme. Não é um dia dos namorados apenas, como alguns traduzem. É o dia das pessoas que se gostam. O dia da celebração do amor em todas as suas formas. Você pode receber cartões e presentes de colegas, primos, pretendentes, casos, até mesmo de desconhecidos. Pra isso você só precisa ser gostado por alguém.
Essa liberdade tira o peso do nosso 12 de junho, admitido apenas para casais no estrito senso. Tente mandar um cartão nesse dia pra alguém que não tenha compromisso com você. “Ai, meu Deus, só tem mulher maluca...” seria a mais delicada das reações. O Valentine’s Day não. Você pode mandar presente pra amigo, pra irmão, pras tuas negas e até pra sua avó.
Então eu aproveito pra deixar aqui um beijo estalado e um abraço apertado pra essas pessoas que moram no meu coração, para as que eu bem gostaria que estivessem aqui, junto comigo. Pra algumas que eu não vejo há séculos, mas não esqueço nunca. Pra outras que eu espero que saibam como são importantes. Aos amigos novos e antigos, aos ressurgidos, aos que permanecem mesmo sem eu merecer, aos resgatados, aos que brigaram, aos que fizeram as pazes, aos espaçosos, aos barulhentos, aos insistentes, aos reticentes, aos que me enlouquecem, aos próximos e aos distantes, aos ainda não concretizados, e principalmente pra voz no recado que eu gravei na secretária estranha e desde sábado escuto todo dia [várias vezes, dezequarentaequatro, com uma saudade enorme que tá difícil de segurar. “Pra que pedir perdão se eu não me perdôo”? Se eu tivesse escolha... Você é a minha grande celebração. E vai continuar sendo por muito tempo ainda, mesmo com um - futuramente literal, espero - oceano de distância].

Pra todos vocês, meus amores, HAPPY VALENTINE’S DAY!!

Posted by Hello


Milena, Cabel, Jongo, Vô Ceceu, Papai, Dodô, Pedro, Joana, Vi, Tati, Pati e Flávio, Vô Zezeco e Júnior, Xande e Felipe, Vó Lola, Afranio e Glória, Bella e Vander, Tuca e Glória e Felipe, Dona Arlete, Anginha, Maíra, Lucas, Júlia, Leonardo, Tia Elza, Marcelo e Rita, Tia Marly, André, Arnaldinho, Tia Alzira, Bianca e Sogrinho, Ricardo e Mônica, Deusda, Jota, Soninha, Gina e Gil, Wal e Geraldo, Tio Dininho, Rose, Gisela, Marcelo e Gabriel, Patrícia e Ricardo, Aleusis, Tarcísio e Bubu e Vicente, Tadzio, Ian, Iuri, Vó Emília, Cris, Lindolpho, Ceiça, Betinho, Alvito e Heitor, Maurício, Marcelo, Janis, Luis Paulo, Andréa Flor, Bruno, Roberta Flor, Marilena, Arnaldo, Tomas, Beth e João, Giselle, Guaíra, July, Bião, Pepê, Ricardo, Vítor, Tomps, Bruna, Beth, Drica, Purpurina e Marcelinho, Isaac e Maria e Cris, Edu e Bábalas, Comandante e Dona Sá, Magali e Ricardo e Maria Helena e Ana Clara, Marcela e Sônia e André, Fefê e Brinco, Guerreira, Zé e Léo, Dedeco, Marquinho e Gabi, Mauro, Duda, Vidal e Gláucia, Lelê, Dalton, Zé Colméia, Vinagre, Alê, Talita, DD, Rafa, Betinha, Caíto, Mut, Foca, Cachorro e Cris, Pê, Miguel, Tio Dan, Wagner, Fofinho, Braga, Felipe DJ, Sol, Pedrinho, Aninha, Babu, Erasmo, Léo, Tio Toninho, Bruno, Maurício, Gaúcho, Zé, Hilton, Moutinho, Flávio, Alfredinho, Genu, João, Luísa, Rosana, Rodrigo e Fred, Ana Amélia, Luis, Ciro, Szegeri, Toledo e Áurea, Helion, Zeh Gustavo, Zuliana, Helvis, Sukman, Marceu, Luis Fernando, Zander, Karla, Paloma, Isabela, Roberta e Serginho, Ana Paula, Aline, Gabi e Dé e Biba, Márcio, Marco André, Daniel, Luiz e Mari, Cadu, Dúzias, Daniella, Flávia, Gule, Crica, George, Charles, Simone, Rafael, Pul, Batata, Flavinho, Juliano, Nolla, Marvin, Buinha, Simone, Andreia, Diana, Renata, Franja, Rosana, Tati, Marcele, Mariana, Isabela, Sol, Jará, Thaís, Gisele, Ana Paula, Monique, Lau, Russo, Lis, Clower, Bruno, Alice, Sueli, Julio, Carola, Daniel, Lúcio, Marcelo e Giselle e Erick, Maurício, Galhos, Gonça, Isnarzinho e Isnarzão, Dona Maria e Adelaide, Sebastião, Fabinho, Lucia Helena e Silvinho, Moacyr e Ize, Eloá e Reinaldo, Vó Maria, Reinaldinho, João e Ângela, Chico, Julia, Font, Zé Luiz, Dorinna, Tio Mello, Marquinho, Tupiara e Katia, Basili, Touro e Gilda, Cristina e Roberto, Edu e Marcinha, Walter e Bianca, Zamith, Paulo e Kátia, Lélio, Baiano e Ana, Helena, Adalúcia, Julinho e Mari, Tio Cuca, Pimenta e Hortência, Lula e Celita, Yara, Lúcia, Beth, Jayminho e Mari, Seu Motauri, Coronel, Mário, Seu Antônio, Filó, Sadams, Jorge Henrique, Beni, Joilvo, Maria Carmem, Maï, Lílian, Felipe e Dona Beth, Cris, Vasco e Alê, Júlio, Guilherme, Gabriel, Nicole, Tereza, Vivi e Paulo, Alexandre Otávio e Angélica e Helena, Zé Roberto, Liz, André e Gabriela, Rachel e Léo, Quik, Bispo, e pro Paulo Emílio, Marco Aurélio, Vó Helena, Tio Antonio e Tio João sempre.
Ah! Já ia me esquecendo! E pro Pierce Brosnan, claro. Sorry, honey baby, you know I love you... ;)

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Canção do Escafandrista

... Posted by Hello


[canta, Fátima, canta...]
Sussurrante é teu amor
um escafandrista tateando em mim
dramas a perder de vista.
O dom de acariciar,
profundamente feito o mar,
remexendo o que naufragou
lentamente na solidão
Falsa paz submarina
jaz entre os corais,
num barco submerso
o que eu não confesso...
Iça do abismo ardor, orgulho.
Novos tanques de mergulho
pra poder assim me resgatar
do frio verde.
Por paixão eu volto à tona
e, Atlântida entre as ondas,
solene, linda sai do mar.


Restos de um Naufrágio (Moacyr Luz / Aldir Blanc)



Cheguei a boca perto do teu ouvido enquanto você dormia pra falar baixinho, pra contar baixinho, pra confessar em quase silêncio que estou indo embora outra vez. Novidade nenhuma, meu pavio é do tamanho do meu tempo. Vontade eu tinha de simplesmente sair-me, sem coisa nenhuma pra confessar. Porém não consegui sumir sem explicação. Não que você precise entender, sou eu só, uma ventania.

Sussurrei, sentindo o cheiro bom da curva da tua nuca até o ombro - o porto draculeano das marcas tórridas deixadas pelo meu assombro -, que eu me apaixonei. Sssshhhh! Não acorda, não...

Pedi desculpas, foi fora do combinado. Quem puder controlar essas coisas que atire a primeira poesia do Vinícius... À minha revelia, meu coração me foi arrancado do peito e devolvido depois de quinze dias já encapelado, dilacerado, batendo incerto, desistente, ansiando um golpe de misericórdia pra morrer de uma vez e urgentemente.

Não quis fazer alarde. Preferi sair de fininho, eu falo demais. Minha única defesa é esta: eu não queria. Não tenho fé na humanidade, não creio no juízo alheio, desdenho dos méritos das paixões. Corro, mais que maratonista, feito diabo da cruz, de sorrisos como aqueles, de abraços como aqueles, mas não tive tempo de impedi-lo.

Manso e vagaroso como um mormaço, um escafandrista roubou a minha paz. Na teoria, ele liberta navios enredados, cuida pra que possam atracar em segurança e no entanto, ao invés de livre, me vi seqüestrada. Lá embaixo, não consegui respirar, faltou fôlego e eu me afoguei. Gritei por Santa Bárbara, me salva dessa tempestade, aquieta a fúria dessas ondas, afasta os solavancos desses ventos, Santa Bárbara, ilumina a escuridão! A santa nada pode fazer, o mar estava amainado. A tempestade era do lado de dentro. No fundo remexido do meu oceano, areia, cascalho, restos de estrelas e de sonhos, turvaram a minha visão, mas meus velhos olhos há muito não me enganam: a chuva não vai parar. Parada fiquei eu, sôfrega, a sotavento do futuro.

Meus naufrágios já esquecidos, meu arrojos já na praia e o escafandrista veio recolhendo tudo. No meio da voragem, percebi que ficaria presa na contracosta, suspensa em ceifa inútil. Eu não queria. Nem os desvarios, nem as confissões, nem os arroubos no meio da rua com abraços de comercial de Molico, nem tanta juventude, nem tanto frescor e brilho, meus dias já correm pra trás e...

Foi o teu olhar. E as tuas mãos, já sábias demais pra um escafandrista tão tolo. Pronto, confessei. Paciência. Sssshhhh! Pronto, pronto, dorme...

Talvez eu não sirva mesmo. Arribadeiros e bucaneiros rimam, mas não combinam. Saiba apenas que cada tremulina, cada espraiar de espuma há de te lembrar: uma embarcação precisa cumprir seu destino de seguir por todos os mares. E não apenas rodear em verão e lua prata num remanso de águas cristalinas.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

ANIVERSÁRIO

Povo amado, amanhã é meu aniversário. E eu ainda não consegui saber o que vai ser do dia. Só sei que meia-noite de terça pra quarta estarei na Marquês de Sapucaí, porque a Lins Imperial vai desfilar com o enredo "O Bêbado e a Equilibrista". Onde vai ser o esquenta não está fechado ainda. Mas hoje o programa da virada é certo: Rancho Flor do Sereno, em Copacabana, rua Almirante Gonçalves. E aí, meia-noite, já sabem: tem parabéns. Quem puder aparecer, vai ser muito bem vindo. Um beijo enorme pra todos.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Âmbar

(Adriana Calcanhotto)

Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

ASCENDENTE: ESCORPIÃO

Tens, Acima de tudo, charme.
Uma personalidade incandescente
incêndio de cais do porto
lucipotente
despertando a cidade à meia-noite.
Sorri, acorda a manhã...
Carinho e parcimônia
pré-dispostos em polidez pontiaguda.
Olhos de sombra altimurados
explodem acidez
e sangram a minha nostalgia.
Cai o pano e estás comigo.
Desperto, quase lúcida,
desse sonho, sonho mesmo
que teu bom-dia é fio terra
eletrochoque.
Energia que é cósmica
e que terrena
espero que ao meu lado amiga esteja,
companhia sincera para quem almeja.
No futuro serás livro,
farás parte do contexto
e espero que compreendas o exagero do artista
de viagem imaginária
e que ainda assim amigo,
permaneças encantado...
mais e mais e sempre
charme.
Porque...
Não fosse raio, terremoto.
Um processo de consciência
súbita de tua recendência
no abismo da incompreensão
do medo de tua leitura.
Ansiosa de tua sombra,
impactada de ciúme,
permaneço indignada,
obscura, encolhida,
medo de novo.
Que não tenha tantos metros,
mas o gosto é o mesmo sempre,
de café passado na hora
com broa que acabou de sair do forno.
(Encarar a plenitude de um olhar e sustentá-lo além da solidão.)
Espero que não faças dele motivo para alarde,
nem que te afastes temendo que já seja muito tarde,
e que continues nascente que estás sendo,
esbanjando teu império,
espargindo elação,
e que saibas distinguir
teu real do meu imaginário
na certeza de sucumbir ao charme.

Lá vem o Estadual...

Não é nem muito novo, nem muito velho, mas continua atualizado, infelizmente.

Pasárgada vascaína

Luis Fernando Veríssimo escreveu, se não me engano em 1998, crônica em que comparava o desejo de Manoel Bandeira de ir-se embora pra Pasárgada — onde era amigo do rei —, com o sentimento nacional relacionado ao poder. Aspas:

“Para alguns, ser amigo do rei significa ter influência no governo, qualquer governo. Para outros significa ter dado o passo mágico com o qual, no Brasil, os que estão por fora passam para dentro. Ter transposto o balcão que separa os que atendem mal dos que são mal atendidos pelo Estado. O serviço público é a Pasárgada de muita gente, mesmo que, ao contrário da Pasárgada de Bandeira, não tenha tudo nem seja outra civilização, seja um serviço mal pago com pouco privilégios. Não importa, está-se ao lado do Rei, livre da danação de ser apenas outro cidadão brasileiro.”

O que o Vasco tem a ver com isso? Tem que lá, na nossa Pasárgada, até o rei quer ir-se embora, quer também ser amigo do rei. Cercar-se de reis. Entende? Os vereadores em torno dos prefeitos. Os prefeitos amigos dos governadores. Os governadores cercando os senadores. Os senadores com os desembargadores. Os desembargadores e... bom... os desembargadores e o Papa. Dizem que os desembargadores são os únicos fora de Roma que conhecem a verdade sobre o terceiro segredo de Fátima. Tergiverso, é verdade...

Esse é o caso. O presidente diz que Romário joga quando quer. Romário tem toda a compreensão do mundo com a dívida que ficou pra trás. O presidente antecipa a conquista de um título e a principal organização de torcedores não estrilou. Vê? O clube não interessa. O torcedor não interessa. Besta é tu, o que todo mundo quer é ser amigo do rei. Continua Veríssimo:

“Agora, Pasárgada mesmo, Pasárgada além da sonhada, é não ser só amigo do Rei, é ser da sua corte. Ser da minoria dentro da minoria que desmanda no país. Estar no centro dessa teia de cumplicidades tácitas que sobrevive a toda retórica reformista e enreda, suavemente, quem chega a ela, por mais bem intencionado que chegue. É uma confraria sem estatutos ou regras claras, uma confraria que nem bem conhece a si mesma. Você só sabe que está em Pasárgada, e que é bom. Como existem cemitérios de automóveis, Brasília deveria ter, nos seus arredores, um cemitério de boas intenções, descartadas na entrada da corte. O truísmo que todo poder corrompe tem sua versão brasileira: aqui o poder, além de corromper, ameniza.”

E, no caso vascaíno, ameniza também a vergonha. Ameniza a indignação, a responsabilidade alheia e a capacidade de cobrar. Ameniza o amor próprio. No Vasco, começando na diretoria, passando pelo MUV e terminando na FJV, a corrupção do poder expõe sua face mais cruel: é doce, como são as vinganças e homeopáticas como as primeiras doses do vício. Criou-se uma cultura de picuinhas internas, onde é mais importante azarar o rival que vibrar pelo próprio clube, e ainda por cima é condescendente com as próprias falhas. Uma cultura que insiste em forjar responsáveis, enxerga complôs e inimigos em todo lugar, numa esquizofrenia descontrolada e nunca, nunca olha o próprio rabo nem cogita ação direta. A verdade é que nenhum Leve e Souto sobreviveria tanto tempo no rival. Nenhum Wesquem?! sobreviveria tanto tempo no rival. E digo mais: no rival, o sujeito que conseguisse a façanha de perder todos os últimos grandes craques que passaram pelo clube por incompetência administrativa já teria tido a cabeça sumariamente cortada. No rival, um rombo financeiro dessas proporções e tamanha lapidação do patrimônio (considerando imagem e reputação como o patrimônio mais importante de qualquer clube) seria caso de polícia. E de que rival eu estou falando? De qualquer um! Qual-quer um! Exceção feita ao, como diz meu sobrinho, Curíntia, que hoje sofre com o Seu Sentadim como nós aqui sofremos com nossos fantasmas. Essa moeda parece ter duas faces distintas, mas tem uma só. Quem é a favor do atual presidente por conquistas e títulos do passado, pode até ter suas razões. Mas querer manter esse discurso sempre atualizado, esquecendo dos últimos vexames, é muito complicado. Acho difícil conseguir encontrar em qualquer vascaíno isenção e coerência. No fim das contas, situação e oposição se acusam de coisas semelhantes: ou se está fazendo o papel do cego que não quer ver ou vendeu-se apoio por pouca merda, a tal corrupção pela proximidade com o poder.

Da mesma forma, estar “sob as asas da FJV” hoje — só porque é bom estar cercado de uma grande torcida, só porque é bom sentir-se integrante e elemento ativo, ou então porque faz parte ter com quem contar se der porrada, ou lá o que seja a amoralidade do sujeito —, também é estar corrompido e cego. É querer ser a minoria dentro da minoria, como no texto do Veríssimo. Da mesma forma que reclamar da imprensa é ser simplista e não compreender que a imagem do clube e do torcedor vascaíno pode estar sendo transmutada para sempre (transmutação: formação de uma nova espécie através do acúmulo progressivo de mutações na espécie original) e isso vem de dentro pra fora. Da mesma forma, depois de tanta lenha na fogueira e tão pouca bala na agulha, o MUV devia rever os seus conceitos, isso pra dizer o só mínimo... Parece claro que alguma coisa não está funcionando como deveria.

Minha cruz-de-malta não tremula numa bandeira nem pisca num placar luminoso. Minha cruz-de-malta está incendida no peito, no meu coração, que é a minha Pasárgada, da qual não vendo nem arrendo um só pedaço, e aonde o rei sou eu.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

MANDALA QUENTE

...passarinho verde passou e adiantou meu presente de aniversário...
Parece que o verão vai finalmente começar e o tenebroso inverno vai ficar definitivamente para trás. :) Posted by Hello

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

:: Aldir Cronista - BODAS DE OURO

(Mais uma pra matar as saudades... Publicada no livro "Um cara bacana na 19ª")

Preciso registrar uma efeméride: sábado, 7 de outubro de 95, tive o prazer e a honra de atuar como Mestre de Cerimônia, aqui em casa, nas Bodas de Ouro de meus pais, Helena e Ceceu. Estiveram presentes, ao vivo e a cores: Toninho Sorvete, Waldyr Iapetec, Buda, o terrível Walcyrzinho, o bravo Dr. Ricardo Oliveira (coitado, trata da família toda), Viegas Bico-Fino, Dalva - rainha do frevo e do maracatu, cumadre Ize Isaura, Graça - a verdadeira castanha da Caju Music, Edu Búzios, uma lista de personalidades capaz de fazer o Swann bancar o pato.

Meu pai é um homem afável mas tem seus particulares: não gosta de festa e de visita. Em sua casa, no Estácio, mantém um rifle encostado na janela da frente. Dizem que é pra detonar, caso alguém toque a campainha sem ter avisado com um mês de antecedência. Ceceu não abre exceção nem pro carteiro. O técnico da televisão tem que mandar batedor e fazer sinal de fumaça lá do Rio Comprido. Não foi fácil convencer a fera de que 50 anos não são 50 dias. Na primeira tentativa de conversa ele avisou:

- Se tiver missa, posso até, em respeito ao recinto, livrar a cara do padre, mas o sacristão entra na porrada.

Diante disso, Mari Lucia deu a idéia salvadora: chamar um pessoal de música, Jorge Simas no 7 cordas, Jayminho no cavaco, Diniz no piston, Renan no baixo. Na voz, D. Zilda e Cristina Buarque. Baiano no afro-catarro, Guinga na harpa, Sodré no pandeiro, Mello em si mesmo (tantã), tudo gente fina. O champagne ficou a cargo do meu irmão Marco Aurélio, o último gentleman do Rio de Janeiro. Moacyr Luz, registrou, com uma pronúncia de fazer o Macaco Tião tomar Haloperidol injetável:

- Gente, é francesa! Um monte de garrafa de Vê-si-quicô!

No primeiro compasso de "Flor Amorosa", com exatos quatro segundos de festa, mamãe passou mal. Nôu próblein, disse o Moacyr Luz, com uma pronúncia de fazer o Macaco Tião entrar pra igreja universal. Havia inúmeros médicos presentes - inclusive eu, pomba! Foi Deus que me iluminou quando resolvi maneirar na bebida. Eu, momentos antes, presenteara o jornalista Pimentel com minhas próprias calças, mas não teve nada a ver com birita. Foi emoção. Também falei inglês, alemão e baixo-azerbaijano com o César Tartáglia, mas parei com a brincadeira porque o Moacyr Luz entrou na conversa em esloveno setentrional com uma pronúncia de fazer o Macaco Tião dançar funk.

Levamos mamãe pro quarto. A junta médica não titubeou: vesícula. E agora? O silêncio foi tremendo. Parecia que alguém tinha sugerido investigar as empreiteiras. Ceceu salvou a festa:

- Só se for da genitora dos esculápios. Helena tirou a vesícula há 20 anos.

Aliviada, mamãe levantou da cama no ato:

- Bom, se é vesícula e eu já fui operada, bola pra frente. Vamos voltar pra sala.

A partir daí, correu tudo às mil maravilhas. De vez em quando, eu ía pro banheiro chorar. Foi Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que me manteve sóbrio. Eu entrava no banheiro, caía no choro, e o Macaco Tião (que estava lá dentro, escondido do Moacyr Luz) me abraçava:

- Chora, meu nego. Teus pais são uma gracinha.

Detalhe: havia inúmeras crianças na festa, incluindo meus oito netos: Pedro, Milena, Joana, Huguinho, Zezinho, Luizinho, Cebolinha, Magali, Mônica, Tico e Teco. Fiz bem em não exagerar na bebida. É lindo ser avô e ver todos os netos, quatorze, quinze, sei lá, reunidos, ao lado de minhas quatro filhas: Patricinha, Tati, Marianinha, Belzinha, Juju, Line, Marina e Dadá.
Crianças choravam a plenos pulmões, os músicos tocavam como se estivessem afundando com o Titanic - atacavam a introdução de "Carinhoso" e o Moacyr Luz entrava cantando "I could have dance all night". Embalado, Moa declamou em homenagem ao casal:

Como diz o Paulo Francis nos estêitis:
Middlesborough é dose pra Bill Guêitis!
Fífiti years, milórdis an' milêidis.
Evoé! Enerjaizer, gatorêidis!
E náu, queiram me perdoar:
vou levar o Juninho pra espirrar.


Com essa, o Macaco Tião se afogou na banheira. Próximo ao corpo, um bilhete: "Agüentei dromedário, hipopótamo e elefante, mas essa pronúncia é demais pra mim. Sou macaco mas exijo respeito".

Sóbrio e comovido, tive um insight lírico:

- Que tal comermos as velas à luz do bolo?

Foi aí que um garotinho que não reconheci, mais um neto meu?, tirou a cara do livrinho de história e perguntou:

- Que qui é antílope?

Well, antes que alguém pudesse fazer contato com o prontocor, meu sogro e guru, Zezeco Sá Freire, ex-membro da guarda pessoal de Getúlio, deu ao kid abelha uma verdadeira aula inaugural:

- Esses delicados animais são um capítulo à parte da Veadologia Geral e Comparada. Por exemplo: se um marmanjo pinta a cara feito louca, bota peruca ruiva, se enfia num vestido vermelho de babado e vai cantar Babalu em buate na Lapa, é veado propriamente dito. Se o espécime é festivo e gosta de dar presentes, trata-se de uma rena, a melhor amiga de Papai Noel. Quando sai no tapa e dá sandalhada, é cervo: mete o chifre, coisa e tal, mas acaba tudo em desenho animado, tipo Bambi. Agora, quando escreve resenha de livro de poesia do amigo naqueles suplementos literários de São Paulo, aí é antílope. Sacou?

Os convivas foram saindo de fininho. Também vou nessa. Como diria o Moacyr Luz: outra vitória da ilusão. Gudinaightzwt#$*&%*.
Aldir Blanc

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

:: sem parar >> If I Can't Have You

(Já vi que vai ser isso depois de todo bloco, depois de toda vista, é bater e valer, lembrei na hora: "tinha dia e hora marcados pra acabar", não sabia? Bom de ouvir com o som muito, muito alto... Espanta tudo!! Espia)

Yvonne Elliman

Don't know why
I'm survivin' ev'ry lonely day
When there's got to be no chance for me
My life would end
And it doesn't matter how I cry
My tears, so far, are a waste of time
If I turn away
Am I strong enough to see it through
Go crazy is what I will do

CHORUS:
If I can't have you I don't want nobody, baby
If I can't have you...uh-huh, oh
If I can't have you I don't want nobody, baby
If I can't have you...uh-hoh

Can't let go and it doesn't matter how I try
I gave it all so easily to you my love
To dreams that never will come true
Am I strong enough to see it through
Go crazy is what I will do

(CHORUS)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

La Barca de Caronte
Óleo sobre lienzo, 103 x 176 cm
Ingresa en el Museo en 1932 por donación
de José Benlliure Gil.
 Posted by Hello

:: sobre o ano que se apresenta aí na porta

Essa foi a mensagem de ano-novo mais legal que eu recebi.
Veio de um amigo muito querido, o Zander.


"
Esse tal de 2005, que tá chegando aí, será, definitivamente melhor que 2004, esse outro que está a acabar. E isso não é uma esperança minha, ou um fruto de fé (essa crença ilógica na ocorrência do improvável), ou mesmo uma repetição de um desejo quase que cultural, atávico mesmo, de esperar que o ano novo traga mais amores, mais dinheiro, mais saúde, mais felicidade (essa coisa etéria, irrealizável). 2005, não acho, tenho certeza, trará mais amores (em quantidade, gênero, número e intensidade, à escolha do freguês), trará mais dinheiro (para pagarmos as contas, que não cessam), mais saúde (e doenças, conseqëntemente, para ficarmos mais e mais resistentes e resilentes) e algumas felicidades. Ainda assim, isso não faria 2005 melhor que 2004. O que fará 2005 melhor é o fato que teremos a vivência e a experiência de todo o 2004 para acertarmos e errarmos novamente, para olharmos para o passado e termos um ano inteiro para nos tornarmos pessoas melhores. E eu sei que me tornarei uma pessoa melhor. Você não? Bom 2005!
"

sábado, 8 de janeiro de 2005

Ausência.

Esse foi um final de ano um pouco... ahn... conturbado.
Falamos sobre isso depois.
Aí vão dois textos novos.
E desculpas pelo tenebroso inverno.

SANTO ANTONIO VIANNA



“Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu seu filho ungênito, pra que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna.”
Evangelho de João, capítulo 3, versículo 16.




Houve um tempo em que os santos eram homens de causas mui nobres, de agudo senso de justiça, de dever, de honra, de forte caráter talhado nas rochas mais duras. Verdadeiras fortalezas de espírito e de fé. Seres abnegados, que abriram mão do próprio conforto em nome dos mais fracos, empenhados em proteger desvalidos.

Era necessário provar inúmeras vezes cada um dos milagres, era preciso arrepender, confessar, redimir. Era preciso ter testemunhos, provas, e até amigos influentes algumas vezes.

Noutra época, os amigos influentes falaram mais alto e os santos podiam ser apenas grandes beneméritos com uma taumaturgia breve. Muitos foram os que, abençoados pela igreja, tiveram seus nomes imortalizados pela canonização. Um sem número de processos ainda aguarda a decisão final, incontáveis foram recusados.

Mas, em matéria de taumaturgia, nenhum superou Santo Antônio. Padroeiro dos pobres, casamenteiro, evocado para busca de objetos perdidos, famoso orador, o frei franciscano é um dos mais populares da igreja e aquele que tem a lista mais vasta de milagres atribuídos.

Essa semana, nós, minha família, perdemos um Antônio. Um que não era santo, nem famoso, a única ficha corrida era a conta do butiquim, mas também foi, a seu modo, um exemplo de retidão, de honestidade, de valor. Também foi bom orador, quando ele contava histórias, os outros calavam pra ouvir; também viveu dedicado a proteger os seus; também possuía um aguçado senso de justiça e do dever. Foi embora assim, de repente, sem dar-nos tempo de acenar o adeus.

Deixa pra todos nós lições valiosas, prinipalmente sobre a importância da família, do trabalho árduo e da amizade.

Algumas pessoas que crêem num Deus punitivo e vingador associam perdas e derrotas com castigos, proporcionais aos pecados atirados aos céus. Mas dessa vez, nem o mais feérico defensor da fúria divina nos convenceria. Porque, apesar de sermos muitos, nem todos os nossos pecados somados seriam capazes de gerar provação tão tamanha. Se aconteceu, é porque era hora. E só. Cabe a nós, cada um dentro de si e no amor aos outros, encontrar a força e principalmente enxergar que todo sacrifício só tem valor se for reconhecido.

Reconheçamos pois, em agradecimento pelo privilégio do convívio. Se ele é pra nós eterno, e perpetuado será a cada lembrança, quem sabe... quem sabe um dia também alcancemos essa benção. Nenhuma montanha será alta demais, nenhum rio será extenso o bastante, haja o que houver nenhum caminho será suficientemente árduo pra evitar que o abracemos no outro plano. Eu vou levando os copos, quando eu chegar as cervejas já devem estar geladas.

E façamos uma última prece, ato não de consagração, mas de esperança:

Grande e bem amado Antônio Vianna
teu amor a Deus e ao próximo,
teu exemplo de vida cristã
fizeram de ti um dos mais queridos desta família.
Te peço tomar sob tua orientação valiosa
nossas ocupações, empreendimentos
e toda a nossa vida.
Estamos convencidos de que nenhum mal
nos atingirá
enquanto seguirmos teu exemplo.
Proteja e defenda, somos pobres pecadores.
Olhe, como sempre, pela necessidade dos teus,
e dê um passo a frente diante do mestre,
pois teu lugar está guardado ao lado Dele..
Pelo caminho dos teus passos,
Deus aumentará nossa fé e caridade,
minorará os sofrimentos,
nos livrará de todo mal e não nos deixará sucumbir.
Ó Deus poderoso, cuidai de nós
afastai os perigos do corpo e da alma
e nós, com vosso auxílio,
viveremos em paz até a hora de partir
ao reencontro
com nosso amado pai, marido, filho, irmão, tio e grande amigo.
Come what may....

Nos veremos em breve, tio. Boa passagem.

BIÃO, O ANFITRIÃO

Na casa de Bião, o anfitrião,
o que se procura
nunca se acha.
Cuidado se quebrar copo
talvez não haja pano de chão.
A porta da geladeira
às vezes fecha,
às vezes não.
Cerveja em ponto de bala?
Eu não contava com isso, não.

Na casa de Bião, o anfitrião,
o que se procura
às vezes aparece.
Sem alento de amigo nenhum,
vá se chegando,
sempre cabe mais um.
Há muita alegria e música,
cheiro da casa da vó da gente
que não se esquece,
jeito de cafuné com pipoca e preguiça...
Mas também não esqueça
que o botão da descarga
tem dias que enguiça.

Na casa de Bião, o anfitrião,
o que se procura
sempre se encontra,
se não for atrás de confusão,
mas de linha de passe bem jogada,
de boemia sem encenação.
Ou até se você for parecida
com a moça tonta,
tremenda malcriada,
que gosta mesmo
é de levar palmada
(palmada bem dada
pra quem não quer nada).

Na casa de Bião, o anfitrião,
o único senão:
você pode encontrar
o que não estava procurando.
Aviso
aos desavisados,
aos zelosos demais,
aos céticos demais,
aos descrentes demais,
aos sérios demais,
aos covardes demais
e a todos os outros infelizes,
que achar sem procurar
pode ser até prazeroso.
Ou muito mais perigoso
do que nunca encontrar...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

SEGURA PRA NÃO CAIR - LETRA DO SAMBA 2005

de Edmundo Souto, Eduardo Goldenberg, Mariana Blanc e Fernando de Lima

Vai me leva, ô, carnaval é ilusão.
Nesses mares, de Ponte Nova já partiu a embarcação.
Clementina, abençoando o mineiro que chegou...
Meu São Benedito do Sinal Vermelho:Tiro de misericórida não!
Salva esse meninos, ouça meu conselho,
traz a nossa redenção!

Bate forte o tambor, no terreiro!
Olokum é João, brasileiro!
Segura Pra Não Cair
Da África à Sapucaí

Não vai desbotar, papel marchè, me faz sonhar...
O meu coração lá na Serrinha eu vou deixar.
É, tudo isso é mistério, a Vila e o Império,
vão nos tornar eternos!
Salve Marias e Clarices
o sonho já me disse: o show tem que continuar.

Foi só pegar no cavaquinho
Deu samba
Vila Isabel homenageia um bamba
Bala com bala, dois pra lá e dois pra cá
Eu sou Carlitos nos oitis do Boulevard!

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Uma declaração de amor

Recebi esse poema da amiga Vera Mello, companheira de bons momentos, que divide o gosto pela poesia, pela alegria, pela boemia, todas essas coisas que terminam com ia e que a gente fica sempre indo a elas, bebendo da fonte, alimentando a alma. Não sei se tem nome, mas mando mesmo assim.

Autor: Ferreira Gullar

Se é fato que
toda a massa do sistema
solar (somando a de Saturno e Marte
e Terra e Vênus e Urano e Mercúrio
e Plutão, mais
os satélites, mais
os asteróides, mais) equivale
apenas a 2% da massa
total do Sol e
que o Sol não é mais
que um mínimo ponto
de luz na estonteante tessitura de
gás e poeira da Via
Láctea e que a Via
Láctea é apenas uma
Entre bilhões de galáxias
que à velocidade de 300 mil km por segundo
voam e explodem
na noite
então pergunto:
o que faz aí
meu poema com seu
inaudível ruído?
E respondo:
Inaudível
Para quem esteja
Na galáxia NGC 5128
Ou na constelação
de Virgo ou mesmo
em Ganimedes
onde felizmente não estás,
Cláudia Ahimsa,
poeta e musa do planeta Terra.

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Fala oi, Oscar! Posted by Hello

Struthio Camelus


Por isso, porque és só minha e eu sou só teu
É que eu não sou mais eu
Foi bem mais que um milagre, vida minha...
Foi como a própria vida:
ACONTECEU.
(Por que amo Paris – Vinícius de Moraes)


Hoje eu prometi falar de avestruzes.

Como um deles sentou-se em cima de mim, tá complicado de escrever. Tá difícil até pra enxergar o teclado com esse bicho enorme aboletado na minha pessoa.

Avestruz é um bicho interessante.

Consultemos a Enciclopédia de Banalidades Intermitentes: Struthio camelus, é a maior ave do mundo. Seu habitat principal é a África, mas alguns têm especial predileção pela Muda, esse bairro tão aprazível e atualmente concorrido do Rio (tão concorrido que esta madrugada tinha uns cinco caras tentando roubar o mesmo carro, mas entraram num acordo: cada um levou um pneu e pronto).

Avestruz não voa, só depois do terceiro ou quarto Redbull e gosta muitíssimo de sorvete de flocos, embora a gente saiba que são assim feito homem recém-divorciado: não são exatamente seletivos com relação ao que comem.

Pertence à família Struthionidae, ordem Struthioniformes. Um macho adulto — avestruzes fêmeas são difíceis de estudar porque além de avestruzes ainda são tímidas — pode medir 2,5m sendo que metade de sua altura é pescoço, um fiscalizador da vida alheia nato. Pesquisas apontam que tanta curiosidade serviria para compensar a falta de inteligência, já que, segundo a bíblia, Deus o teria privado de esperteza.

Pratica jogging, segue uma dieta especial rica em objetos brilhantes (o estômago do avestruz é dotado de poderoso suco gástrico que é capaz de dissolver metais, desaforos, intrigas e resiste até mesmo a alguns tipos de cantada) porém, mesmo com todos esses cuidados, chega a pesar 155 kg. Frustrações são, portanto, perfeitamente compreensíveis. Eu nem me esforço tanto, mas também peso muito menos.

Machos são pretos e brancos, fêmeas são marrons, e as emas gostam de uma purpurina que só vendo, mas não entraram na história ainda.

A cabeça e o pescoço têm apenas uma fina penugem. As pernas são nuas, depilação natural. A cabeça é pequena e completamente oca, o bico largo e os grandes olhos castanhos têm grossas pestanas pretas, rímel Lancôme com certeza, que é pra aumentar a veracidade das cenas dramáticas.

Vivem em grupos de até 50, junto com outros animais de pasto, assim feito a casa da mãe Joana mesmo. Sua defesa é a fuga. Um avestruz apavorado pode alcançar uma velocidade de 65km por hora e quando encurralado distribui perigosos chutes que nada têm a ver com habilidade de auto-preservação, não. É que eles ficam meio histéricos mesmo.

Seus ovos, medindo cerca de 15cm de comprimento por 12cm de diâmetro e pesando 1,35 kg, são os maiores do mundo. Haja saco. Vem daí a “paciência de concílio com abuso”, algo como a de Jó. São tão pacientes que podem esperar suas vítimas por várias horas na porta do bar e quando a vítima sai, distraída... blam!! Eles aboletam.

Aboletar é a atividade preferida de um avestruz. Um aboletamento pode durar alguns minutos, várias horas ou mesmo dias. Pode ser feito por uma ou mais aves. A vítima fica assim... ahn... assim meio... como quem tem um avestruz aboletado. Perde o apetite, não sai de casa, vê em preto e branco, ouve mal (só “Good Times 98 FM”), e costuma emitir sons estranhos, mais ou menos como uma lamúria incessante. Sente muita saudade de qualquer coisa, tem crise de inversão de importâncias, chora com propaganda de fundo de investimento, fica insone e quando dorme tem pesadelo. “Estar na tumba” é um expressão comum para designar aboletamentos.

Avestruzes ficam sem beber água por longos períodos, mas dispensar uma Bohemia gelada é difícil. Vinhos também agradam, e sua ressaca se traduz apenas num péssimo humor. Atenção: eu disse péssimo. Todos sofrem de TPM crônica, inclusive os machos, o que ajuda a explicar a natureza dos sintomas de vítimas de aboletamento.

A reprodução é complexa. Apesar de enlouquecedoramente críticos (óbvio que, pra eles, só serve a crítica depois que a merda já tá feita), estas aves não se contentam com pouco e reúnem haréns de 3 a 5 esposas. As fêmeas fazem o mesmo, mas não declaram, podem não ser espertas, mas também não são estúpidas. Os relacionamentos são conturbados e comumente terminam em bate-boca. Adoram discutir a relação, se retraem com facilidade e sua vida longa, de 50 a 70 anos, permite que criem inúmeros motivos pra se aborrecer, motivos estes cuidadosamente alimentados, nutridos e arquivados. Durante um ataque mais pesado, todo esse arsenal acumulado pode ser atirado na cara da vítima.

Machos chocam de dia, fêmeas à noite. Isto é importante porque machos e fêmeas devem ser espantados por meio de posições sexuais distintas. É o melhor antídoto conhecido, embora seja perigoso se mal administrado – neste caso tem o poder de atrair outros avestruzes em progressão geométrica.

[Na verdade, existem outros antídotos sim, mas pela raridade, têm divulgação restrita. Por exemplo: ovos nevados da Dodô, risoto do Eduardo, reunião de Marcelo Miranda com Alfredo Galhões no Bar da Maria, casquinha de siri da Adega Tudo do Mar e, completando a lista com os já extintos,  show do Aldir e Villa-Lobos em concerto particular]

Se você estiver sendo perseguido por uma fêmea, levante as mãos para o céu. Fêmeas podem ter o ânimo arrefecido com apenas uns beijinhos aqui ou ali, meia dúzia de rosas e um sushi básico. Nada muito grave e pode perfeitamente ser resolvido em público.

Agora: se o seu avestruz é macho... pode começar a apelar. Repita os procedimentos para espantar uma fêmea, acrescente uma banda de cover dos anos 80, umas velas, Drambuie aos galões, uma casa de praia e uns quinze vídeos pornô. Se nada disso der certo, tente Balla 12. Nadinha? Ah, desanima não... cada avestruz tem sua receita.

Com paciência você pode conhecer melhor seu avestruz como eu já conheço o Oscar (Hí!, eu nem apresentei o Oscar, né? Fala “oi!” pras pessoas, Oscar! E tira a cara da frente do monitor que eu já tou acabando!).



PS:Em inglês se chama “ostrich”, que parece mesmo com ostra, mas eu não entendi a graça da piada.
PPS: Se você conhece outra receita, mande pra nós. Afinal, nós, vítimas de aboletamento, temos que nos manter unidos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Ando assim, a respirar por flores, a sorrir pro dia, a nem temer a noite. Ando assim, como que encantada, a ansear a volta, a não querer mais nada. Posted by Hello

Era mais ou menos isso...

... que eu queria dizer e não sabia como.
Uso então as de um amigo querido, Fernando.
Espia o link

À procura de Paula

e responde: o que dizer do meu encontro?
Será que seu coração terá apenas uma nostalgia vaga, com goteiras vazando aos pouquinhos a memória?
E se eu pusesse um anúncio, viria? :)