domingo, 11 de julho de 2010

Convite


Preciso dizer que te espero? =]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Furto

(da arte de ser ida)

Transitória e de passagem,
ela observa
estática
a paisagem
em movimento.
Mesmo parada,
o dia continua indo,
a noite continua vindo,
e não há maré que
nessa hora
se interrompa porque
o tempo da moça
não é pra agora.

Há que mover e partir,
sem adeus formal
cristalizado –
que nem é mais
necessário.
Achado o adeus implícito
da descrença e
do descaminho,
está forjada,
e temperada
,
a partida
mais exuberante,
pelos sonhos indomados
e tão falantes
(reais depósitos
de desatinos,
que esfacelam até
a mudez determinada
dos silêncios cabotinos
e transformam propósito
em talante).

É na despedida calada
que o tempo, caprichoso,
expõe a face veraz e petrificada
das decisões equivocadas.

É no vazio da inanidade
que nos são roubadas,
por outros mais vorazes,
as razões e as mulheres mais amadas.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

CONTAGEM DIGRESSIVA

Pinta teus olhos de vermelho
e vê, então, pulsar em todas as coisas o meu sangue.
Rega tuas pausas com espelhos
e repara a tua ausência...

Afeiçoa teus sonhos em nuvens:
sente meu medo.
Rasga os desvios a faca
e prova o gosto dos meus gestos.

Cubra de musgo a sua fome,
evolva-se em música,
triture os relógios da casa,

ouça nada além da simplicidade,
e entenda, finalmente,
o tamanho da minha saudade.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Through drowning

Detrás da janela do terceiro andar
marchavam os lírios
em hipnose
pelos campos cegos do delírio
cruzavam arais de sombra
avançavam
em carne viva de sal.

Pelo corredor
sussurravam as teias de aranha
monocórdias e fatais
como a vinda
de outra noite,
dolorosas como hibernar,
náufragas do tempo.

Lágrimas de gafanhoto
e visco do silêncio
das cigarras
desgrudam-se
das paredes
e ouvem-se
raízes claustrofóbicas
condenadas
pelas sementes
a não ser galho
jamais.

De um
lado
de outro
canto
de dentro
luz.

Foi quando,
num gesto simples,
ele fechou as cortinas.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vício e paixão

João Callado/Ivor Lancellotti

Sair de vez, sem ter talvez,
só assim dá pra esquecer.
Vício e paixão só se deixa,
infelizmente, de uma vez,
e é ruim de perceber.
Nem sei como dói,
mas quero tentar.
Se suportar dessa vez,
nunca mais penso em voltar.

Quando o amor perde o sabor
e o fel toma o lugar,
isso é ruim,
esse mel como querer cristalizar...
Nós devemos concordar.
Não vê que acabou?
Ficar é penar...
É bem melhor pra nós dois
se não dá pra disfarçar.

O bonde da ilusão passou ontem por nós
e nem sequer parou,
partiu pra nunca mais.
Vazios de amor,
ficamos por aqui.
Então pra que esperar
se não dá mais pra seguir?

Sair de vez, sem ter talvez,
só assim dá pra esquecer.
Vício e paixão só se deixa,
infelizmente, de uma vez,
e é ruim de perceber.
Nem sei como dói,
mas quero tentar.
Se suportar dessa vez,
nunca mais penso em voltar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Susto vazio

Não é sem receio que escrevo.

Não é espontâneo, nem caso pensado.

É mais espanto, susto congelado,

que obriga a fazer o que não devo.


Cada dia que passa, cada hora moldada

transformou-se em hora perdida, escoada,

como bolas de prata flutuando no vazio,

vento quente barrado pelo frio.


A aflição desdobrou-se noutra dimensão

quando sentei os pensamentos na calçada:

perto do tempo infinito do lado de dentro,

o que voa por fora não serve pra nada.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Canto de acordar

Quantos barcos atracaram
E eu?
Eu não era cais. Era mar.
Quantas galés afundaram
E eu?
Eu não era mar. Era o Vento.
Quantas jangadas lançadas
E eu?
Eu não era espaço. Era o Tempo.
Quanta ampulheta virada
E eu?
Eu não era areia. Era medo.
Tantas pegadas marcadas,
Tanta mancha roxa,
Tanta porrada,
E eu não era o rosto. Era o tapa.
A vida deixando as marcas na memória
E eu?
Eu sou história.

domingo, 2 de maio de 2010

DEFENSORIA

Não acorde o que não viu dormir.
Não lamente o que não viu sangrar.
Não ressinta o que jamais restou,
não me peça um pouco mais do que acabou...

Não ajunte os sentimentos maus,
Não desminta o bem que me negou.
Esqueça de outro verso do passado,
Ponha a culpa de lado,
Apague o que passou.

Cerre os dentes, em silêncio,
Engula a raiva
De me ver acalentada
Noutro amor sem ser o teu.

Foi pouco, foi por pouco,
Quase nada.
E agora, acostumada, sigo a estrada.
Mas já sei
O castigo, o pior,
O mais antigo:
No couro em que nascer, o asno há de morrer.

São cores, são dores,
Do amor que não me deu.
São flores, amores
Que jamais terás nos braços meus.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Uma Canção Inédita

Dentro do seu coração
Guarde esta canção inédita
Que num cantinho intocado
Será pra sempre inédita
Pode tudo consumir
O tempo que passa feroz
Mas esta valsa há de deixar pra nós

Fiz uma canção discreta
Só para você
Ninguém pode saber da letra
Que você lê

A música você desfruta
Os ouvintes não
Penetra a orelha e sai por outra
Cada refrão

Se outro amor surgir um dia, a valsa perde o ar
Definha
Mas se você descabeladamente me esperar
Sozinha no breu
Pé ante pé
Abra aos poucos o coração
E deixe
Ecoar nossa canção
E feche

Venha ouvir a valsa oca
Em primeira mão
Que a luva distraída toca
No violão

O público não acredita
Crítico não crê
Na inédita canção escrita
Só pra você

Se você beijar um outro, pode se partir
A valsa
Mas se roendo-as-unhasmente me quiser ouvir
Descalça no breu
Pé ante pé
Abra o peito bem devagar
E deixe
Sete notas a vibrar
E feche

Guarde numa caixa preta
A tímida canção
No fundo falso da gaveta
Do coração

É valsa pra se ouvir por dentro
Pra se ouvir a sós
Pra não se dissipar ao vento
Com minha voz

Com minha voz...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Continente

Como uma viagem no seio do tempo,

No ventre do espaço,

Como um furacão na poeira,

Um tsunami na praia,

Uma miragem no deserto.

Como a bala de prata

Do filme de caubói.

Como o lenço branco

Do pedido de paz.

Como o medo surdo

Do clandestino,

Como a dúvida –

Sempre atroz.

Como um passo, um laço, um navio.

Puro e sujo como água,

Verde e morto como África,

Você é continente...

O futuro que eu não viverei,

Meu único presente.

Por você, esgarço flancos,

Mordo em fúria imanente.

Por você, eu perco lastro,

Indolente.

Por você, lamentarei.

Eternamente.

domingo, 8 de novembro de 2009

Duas (e só duas) lágrimas por isso.

Mariana Leu Clarice Lispector

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Ajudinha

A Vivi Fernandes achou o que eu perdi:


Já era

Era pra ser um poema de despedida,
mas cadê vontade?
Era pra ter sido uma noite sem bebida,
mas cadê coragem?
Era pra eu esquecer o teu cheiro,
mas ele é tão bom...
Era pra eu não reconhecer a tua voz,
mas eu ainda me arrepio!
Era pra eu ficar em paz,
mas você é muito atento.
Era pra eu não querer te ver nunca mais,
mas nunca mais é muito tempo.

Vai lá ver. Cada coisa mais linda que a outra.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mais de mil

Volto, aos poucos, às palavras.
Consegui ouvir música, imagina!!
Escrevi meio conto.
Li dois livros!
(Não pergunta em quanto tempo, me deixa comemorar...)
É quase como dizer que espiei de soslaio o espelho. Ainda vou olhar bem de frente e demorado.
E estarei nua.
Nua, não.
Só de batom cor-de-boca.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ponta de Areia


Milton Nascimento

Composição: Milton Nascimento & Fernando Brant

Ponta de areia ponto final
Da Bahia-Minas estrada natural
Que ligava Minas ao porto ao mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra do povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças flores janelas e quintais
Na praça vazia um grito um oi
Casas esquecidas viúvas nos portais

quinta-feira, 23 de julho de 2009

CERTEZAS

A carta estava debaixo da porta. Nem precisou procurar o rementente, já sabia que era dela. A letra tremida dizia:

Eu acho que só ouvisse.
Eu acho que estou em surto.
Eu acho que estou com medo.
Eu acho que tenho um treco.
Eu acho que errei a conta.
Eu acho que me esqueci.
Eu acho que vou morrer.

Eu acho que só mentira.
Eu acho que me assustei.
Eu acho que me arrependo.
Eu acho que fiz besteira.
Eu acho que ainda aprendo.
Eu acho que não consigo.
Eu acho que vou morrer.

Eu acho que nem sonhar.
Eu acho que errei a porta.
Eu acho que fugi do timing.
Eu acho que rebaixaram o céu.
Eu acho que roubaram o chão.
Eu acho que sumi da sala.
Eu acho que fui embora.

Rasgou tudo bem pequeno. Lembrou da frase que o pai dizia: "felicidade é um momento de concentração". Ajeitou o botão do paletó, vestiu óculos escuros, o canto direito da boca se ergueu indisfarçavelmente e ele saiu pela manhã afora assoviando “Por una cabeza”.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pra anja que virou estrela

Pense num momento.
Um momento único,
Que você gostaria de congelar.
Um único instante de amor,
De carinho,
no qual o grande congresso universal
fez sentido
e se desvelou por completo a você.

Pense de quem é
a mão que está pousada
carinhosamente,
piedosamente,
amorosamente,
protetoramente,
sobre si.

Pense de quem são os olhos sábios
E brilhantes
Que nesse tal instante
Despejam sobre você
A plenitude do infinito,
A confiança cega,
A fé amolada,
A candura do não.

Pense de quem é o sorriso
que se estende
franco,
contagiante,
perene,
acima de todas as coisas,
sempre.

Pense.
Seu momento não tem a mão?
Olhos? Nem o sorriso?
Das duas, uma:
ou você não sabe nada sobre momentos,
ou nunca viu uma estrela.

Hoje é o Dia Internacional das Estrelas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ajuda dos amigos.

Ajude uma pobre e desconsolada critatura a terminar seu trabalho final. =]
Use o campo de comentários, de acordo com a numeração abaixo.

Se você é jornalista, me ajude respondendo:
1. Você já se viu envolvido em alguma polêmica relacionada à ética?
2. Que postura jornalística pouco ou nada ética chamou a sua atenção no noticiário recente?
3. Qual o pior defeito profissional que pode ter um jornalista?
4. A obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão vai fazer falta ou diferença?
5. Até onde você iria no desempenho da profissão?

Se você não é jornalista, ajude também respondendo:
6. Sua atividade profissional tem seu próprio código de ética?
7. Que postura jornalística pouco ou nada ética chamou a sua atenção no noticiário recente?
8. Você acredita em jornalismo imparcial?
9. A obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão vai fazer falta ou diferença?
10. Falta ética aos veículos de comunicação atuais?

Muito obrigada. Sua alma vai ficar na mesma, mas eu te devo essa. ;)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Olha o que eu ganhei de presente!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Refém

A minha língua vai seqüestrar o seu corpo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Salva-vidas

Quero fazer com você um pacto.
De sangue, pra ser duradouro.
De carne, pra ser forte.
Com a alma, pra ter efeito.

De boca, pra ser gostoso.
De riso, pra ficar leve.
De luz, pra dar frutos.
Com os dentes, pra tirar dúvida.

De mentes, pra ter razão.
De ossos, pra ficar reto.
De línguas, pra fazer curva.
Com as mãos, pra ter afago.

De futuro, pra dar tempo.
De beijos, pra ter certeza.
De vida, pra ficar serena.
De amor, pra ser todo seu.


Finalmente!

De cara nova.
Tava precisando.

A outra cascuda? Quem sabe, em breve. =]