terça-feira, 6 de setembro de 2005

TOLEDIANDO (às vésperas de um mês)



Eu toledeio todo dia.

Não, eu não me lembro do dia em que nos conhecemos. Não me lembro da primeira vez que ele me chamou de irmãzinha, sempre com a asa protetora sobre a minha cabeça. Não sei contar quantas brigas foram compradas um pelo outro. Ele chegou, sorriu, venceu meu coração e depois eu chorei. E o nosso amor de irmão mostrou que veio pra ficar por toda a vida, mesmo quando minha loucura insista em discutir por discutir, só pra sustentar opinião. Hoje é mesmo a saudade que diz quem tinha razão. Sempre achei que ser irmão era isso mesmo, essa admiração, esse olhar orgulhoso quando ouvia frase inteligente – e olha que eu ficava orgulhosa o tempo todo - , um sem-fim de coisas pra dividir e aprender. A gente enxerga mal. Tem língua presa. Perdoa e tem acesso de fúria. A gente gosta de madrugada e se pela de medo do tamanho que ela tem. A gente sofre pela Síndrome de Veríssimo, não vai dar tempo de ler tudo que a gente gostaria de ler... A gente confia demais. Sofre demais. Irmão briga também. Eu varri mágoa debaixo do tapete. Joguei muito Steinhaeger no meio da rua. Fui arrastada pra casa, “pra pensar melhor”. Pedia socorro e ele vinha sempre imediatamente. Às vezes ele chegava antes mesmo do pedido. Dizia que precisava cuidar da minha instrução, que eu era um pouco burra às vezes, olha como era bonzinho comigo, eu um poço de ignorânça... meu irmão amado, o Girassol. Eu nem sei como foi essa escolha do Fausto pelo Girassol (vou postar esse texto-homenagem, publicado no JB, aqui depois), mas pra mim foi uma coisa muito louca. Girassol é uma das minhas prediletas. Não dá pra dizer que ele fosse diurno, matinal, refrescante como Soda Limonada, mas sempre procurou a luz. Sozinho. Aos trancos e barrancos, Fernando Toledo procurava a luz e achava. Por dentro das próprias veias, no meio do nada, atolado até os senões de vazios. Sozinho. Eu tentei ajudar um pouco, infantilmente diante de tanta lua. Briguei muito. Eu sustentei conversa absurda de madrugada pra fazer meu irmão dormir. Consertava camisa pra fora da calça e mandava engraxar os sapatos. Perdi cabelos pensando “onde esse puto se enfiou” quando sumia, na maioria das vezes ele sumia pra dentro de um livro, e a minha cabeça rodrigueana pensando sempre as maiores tragédias e ele aparecia no dia seguinte no telefone dizendo sempre: “-Senhorita Mariana Blanc? Teu irmão!” e eu ia dar uma choradinha num canto depois, desbordando o excesso de afeto. Faltei - piadinha familiar - 97 dos 16 almoços marcados na casa dele pra não ver a solidão, pra não enfrentar minha pequenez diante dum sujeito que viu todos os demônios dos infernos e fez questão de rir de cada um. Quando a Áurea, a mulher da vida dele, o grande amor, chegou, eu nem acreditei. Tinha uma flor no caminho, do tamanho do meu Girassol, que ia cuidar, que ia proteger, e ela fez tanto, se eu hoje tenho consolo na paz de espírito da partida, ela é a única responsável... eu guardo o primeiro sorriso dela no Estephanio’s até hoje, “vem, Mari, eu quero que você conheça... e me diga o que você acha”... eu acho que não podia ter acontecido nada, NADA melhor. Virou minha amada também. Silencio o resto dela, e a Dona Sõnia e o Seu Levi, Paulo e Carla, por absoluta impossibilidade nessa hora.
Irmãozinho, eu queria fazer soneto, serenata, eu queria escrever um Ulisses de Fernando. Eu queria achar sentido pra tua passagem, pra esse atalho na Terra. Mas eu, por hora, só encontro as poucas páginas dos livros que vc me deu, um disparate de ausência e a surdez da saudade abissal que eu sinto. Encontro um profundo arrependimento das conversas que a gente não teve, das viagens que não fez, do amigo mais justo e desprendido que tive na vida. Pela terceira vez a Conspiração me mostra Perda maiúscula. E eu ainda não aprendi o que fazer com essa merda. Deve ter arco-íris em algum lugar e eu espero vê-lo-ver-te em breve.



Se é tarde, irmão, me perdoa... eu vinha só cansada...

DOS MEUS SILÊNCIOS

Dulce Pontes - Canção Do Mar
Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

Já são semanas, meses de mutismo absoluto, de imobilidade construída, de imperturbável abstenção. Meses de estranhamento. A verdade é que ando me privando de meus próprios pensamentos. Tenho deixado a mente como uma jangada perdida no meio do oceano em plena tempestade, torcendo apenas pra que o dia acabe, pra dar conta das coisas básicas, de comer, de dormir ou não, limitando a existência a tal simpleza que mesmo banais decisões de termos e construções, inerentes à escrita, me são custosas.
Silêncio pra não falar de coisas várias. Silêncio pra distância dos amigos; pra morte aburda, violenta, irreparável e inestancável do meu irmão; pra incompetência; pra saudade do Edu e da Dani – ah, meus parâmetros... - do Estephanio’s e da Marcela, da Lu, da Beth, do Fé e da Brinco, do Cachorro (achei um livro dele até) e da Cris, do Dedeco, Branco, Zé, da turma toda, todo mundo, do Erasmo e do Léo; silêncio pra decepção com o PT, meu primeiro delírio de ser sujeito histórico; pra falta absurda que meu pai me faz há dez anos, todo dia; pra falta até hoje imperdoável na formatura da vó Emília; pra incompetência...
Mas a Conspiração Universal não me deixa em paz. Sei lá se é benção ou praga. É fato. E esse final de semana, uma inacreditável excursão a um paraíso perdido, me deu o que pensar, logo eu que não queria pensar nada, logo eu que achei que podia ficar disfarçada da vida num canto, fui obrigada a tirar a máquina de delírios da inércia. Vou contar direitinho depois a parte factual dessa viagem pra Ilha Grande com meu pai, Dodô, Bel, Milena, Tati, sobrinhos, tios e a impagável turma do Bar da Maria. Prometo que conto. Depois. Primeiro eu queria pagar meus silêncios. Licencinha...

terça-feira, 19 de julho de 2005

Se acontecer



(Djavan)

As estrelas brilham sem saber
Mas cada vez melhor
Pois foi só você aparecer
Todas desceram pra ver você brilhar de cor

O que mais chamou minha atenção
Sua expressão sutil
Isso eu já não posso esquecer
Porque não foi só visão, o coração sentiu

A tenda da noite
Enche de sombra um sonhar vazio
Percorri tantas fontes
Até ver você
Sair do nada pros meus horizontes
Que a manhã, pura e sã, com as mãos de jasmim
Vá roçar seu rosto
Pro amor ardente despertar por mim
Deus é pai, vai saber
Se acontecer
Serei seu até o fim

Em tempo de chuva
Que chova
Eu não largo da sua mão
Nem que caia um raio
Eu saio
Sem você da imaginação

Memórias, gatilhos e pistolas

Trecho da coluna de Aldir no JB de hoje:
"(...)
Uma olhadinha no passado recente faz bem em hora de crise. É no mínimo curioso nosso complexo de hienas nômades. Ao contrário das co-irmãs africanas, gostamos de carcaças frescas. Depois, enfastiados, nos desinteressamos e vamos procurar fedentina em outro pedaço. Vejam só: Mamaluf meteu a mão grande em grana do povo, cobrindo o amplo espectro que vai de galinhas da merenda escolar ao superfaturamento de obras faraônicas, butim comprovadamente percorrendo uma trilha imunda que vai da Suíça, Luxemburgo, Vanderlei e outros paraísos fiscais, até a adega e a pinacoteca desse inimigo de Ali-Babá. Em que cadeia está, cercado de pedras preciosas, Ibrahim Abin, o Ácaro Ackel? Cadê o xilindró de Ângelo Cayman de Sá? O banqueiro Sacacciola continua de férias no exterior? E os 12 mil corruptores de PC Farias? Pinicolalau, amigo de torturadores, permanece de licença-prêmio no reduto do lar? E os 20 mil envolvidos no escândalo do Banestado? Os operadores - sim, operadores - que sucatearam e venderam nosso patrimônio em processos de privatização cheios de mutretas e irregularidades durante o império de FHC I e II? Tem alguém preso? Quais são os detentos saídos da quadrilha apelidada de Propinoduto, amigos do Garotinho? Coroa-Brastel? Capemi? Maisonave (é isso?)?
Minha memória não güenta.
"

leia o texto completo no JB Online

segunda-feira, 11 de julho de 2005

What Movie Is Your Love Life Like?

Your Love Life Is Most Like When Harry Met Sally

Your newest love is someone you least expectOpen your eyes - and heart - a little to find him.

What Movie Is Your Love Life Like? Take This Quiz :-)



Whatever... =)

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Rua dos Artistas: O efeito Leleco

Aldir Blanc

(publicada em 06/07/2005 no fabuloso novo CadernoB do Jornal do Brasil -


Um amigo foi internado em situação difícil num setor de Oncologia. No quarto para dois pacientes, a privacidade é precariamente garantida por um cortinado entre os leitos. Vozes sussurram com discrição no exíguo espaço destinado a meu amigo. Do ladelá da cortina, uma saborosa família suburbana, cheia de Iracemas, Janaínas, Aymorezinhos e Valdineys, comporta-se como se estivesse num piquenique em Paquetá. Discutem política e futebol, nessa ordem (isso, não se pode negar, o PT conseguiu); armam quizumbas homéricas com a enfermagem; incentivam o doente zonzo:

- Que cara é essa? O quê? Fala mais alto, pomba! Não vai tomar a sopa de entulho que a tia Candoca mandou na garrafa térmica novinha?!? Na-nã-ni-nã-não! Só uma colherada pra provar. Sabe quem vem amanhã? O Ednevaldo com as filhas, Vanessa Michelle e Gisleynalva Wanderléia. A Gis tá com uma barriga enorme, grávida. Dizem que foi um jogador do Vasco, tadinha...

De repente, silêncio. E aí:

- Tá chorando?

A voz quase inaudível do paciente:

- Eu queria ver o Leleco antes de...

- Antes de quê? Pensa positivo! O astral é tudo!

Choro ainda mais alto.

- Tô sentindo muita falta do Leleco.

Uma voz de mulher, resoluta:

- Olha, pai, vou te prometer uma coisa: amanhã eu trago o Leleco aqui ou não me chamo Edmilce Azuréia!

Meu amigo acompanha o drama. Quem será o Leleco? O filho pródigo? A ovelha negra? Traficante procurado? Parlamentar da base de sustentação?

Um homem troveja:

- Pai, o Leleco só faz ême, pô! Ta lá na dele, pouco se lixando pro teu estado. O vagabundo só pensa em si. A gente rala pra te visitar e você tá com saudade daquele pilantra, cacete! Vou tirar o time que eu não güento esse tipo de babaquice! Tu gosta mais do Leleco do que dos próprios filhos! Sempre foi assim. Um dia, eu perco a cabeça e dou um tiro no...

Bafafá, tititi, o estalo clássico de um bofetão.

- Olha aqui, Ozônio Carlos, tu pode ser PM, machão, o escambau, mas respeita o pai, falô? Sou muito mulhé de te arrebentá esses corne de cafetão!

- Calma, Terezinha Dulce! Aí, ó, o pai tá geral chorando de novo.

- Leleco... sniff... Leleco...

Uma voz fininha de criança:

- A gente pode trazer o Leleco na mochila da escola e passar correndo pela portaria, mas...

Suspense.

- ... e se o maluco do Leleco latir?

Pra surpresa das filhas, como se fosse o choro de raiva e vitória de um recém-nascido, meu amigo solta uma vasta risada, a primeira em meses.

A Morte, trajando um modelito Cruela Cruel, retira-se, humilhada. Apesar de seu poder devastador, morre de inveja dos frágeis seres humanos: enquanto os desvalidos acharem graça na desgraça, sua vitória não será completa.

sábado, 2 de julho de 2005

CLOSER - Perto demais

The Blower's Daughter
Damien Rice
http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/
(botão direito do mouse sobre o link
e 'abrir em nova janela' pra ouvir enquanto lê.)

And so it is / Just like you said it would be / Life goes easy on me / Most of the time // And so it is / The shorter story / No love, no glory / No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is / Just like you said it should be / We'll both forget the breeze / Most of the time // And so it is / The colder water / The blower's daughter / The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'Til I find somebody new



Eu vou estar aqui pra sempre, eu vou estar aqui para sempre, mesmo repetindo nunca nunca mais, eu vou estar aqui pra sempre...

Assim terminava o bilhete de despedida que ela nunca conseguiu escrever. O último e desnecessário adeus. Ninguém precisa de mais de um e eles já haviam tido vários. O primeiro e definitivo adeus foi dito há muito, muito tempo atrás em alto e claro som, vítreo como qualquer adeus ansioso por liberdade. Divulgado e propagado. Menos do lado de dentro.

Foi quando ela parou de dormir. Dormir tb é saber dizer adeus. Dar serenamente adeus ao dia que terminou e pôr-se pronto, inteiro e confiante para o próximo. Aceitar. Acordar vigilante e disposto para o futuro. Pra quem está se afogando, sentindo o tempo correr pra trás, é impossível dormir, o corpo todo pede socorro, implora, a mente não desliga, anseia, receia, negaceia, e o passado vai espalhando hera de ramos sem raízes pelos moldes do pensamento, mesmo os novos já se formam como os antigos, erráticos, vazios, fantasmas. É impossível dormir, move, move, move forward, ver os dias irem se acabando, sem sentir uma vontade incontrolável de jogar-se debaixo de um ônibus. Ela então pegou as horas e fez delas simples sucessões de fatos, um emendado no outro, cinco, dez, dezenove dias valendo por um só, as semanas, os meses, tantos anos e o pensamento ainda sente, e afirmaria até, que foi anteontem.

Desculpe por ligar assim tão tarde, ou tão cedo, já que são quatro e meia da manhã, mas eu precisava ouvir a tua voz e te dizer que... era assim que ela gostaria de começar a conversa. A conversa que nunca conseguiu ter, pra não precisar admitir desespero. Jamais vai ter coragem de ligar tão cedo ou tão tarde. Jamais vai ter condição de se perdoar. Mesmo sabendo que tanto silêncio assim pode até matar.

Eu teria feito qualquer coisa pra você voltar se achasse que faria diferença!! Me pede e eu faço!! Qualquer coisa... Era o que ela gritaria na frente de todo mundo quando o visse cara-a-cara novamente, aos prantos, unhando os próprios braços na tentativa inútil de calar-se, limpando o nariz na gola, sentindo os joelhos dobrarem, o laivo de vida que um resto de orgulho pode proporcionar esvanecer. É só nisso que ela pensa: quando não está obcecada pela ausência, está obcecada por colar os cacos de sua extensa coleção, o que dá na mesma. É como um emprego de tempo integral, que ainda exige longas horas extras e requalificação constante. Você está apto a segurar essa barra? Tem certeza que agüenta? Não é melhor perder mais alguma coisa importante antes de afirmar que já chega? Você não acha que já perdeu o bastante, acha? Você sabe que ainda precisa muito mais colhões pra aprender, não é? O que você escolhe? Que tal perder um filho? É perda bastante pra empedernir a sua casca? Passe no departamento de RH para pegar seu upgrade, ok?

Eu jurei que não ia mais te escrever, perdoa, é que eu mantenho os olhos desviados mas cabeça não desliga nunca, assim começava o bilhete que ela deixaria na porta dele, uma declaração de amor tão irrevogável quanto os delírios, um bilhete e uma única rosa vermelha já bem aberta, quase despetalando, que murchasse rápido como ela gostaria que esse amor, essa doença, esse susto, esse pavor passasse, desmanchando, murchando, sem deixar nem o cheiro, apodrecendo pra servir de adubo pra um futuro que ela já desistiu de esperar.

Não precisa conferir. Vá em frente sem olhar pra trás e não duvide nem por um único segundo. Qualquer coisa. É assim que é. Eu vou estar sempre aqui. Assim terminaria a promessa eterna e definitiva, a estranha dedicatória que nunca viria a ser publicada.

I can’t take my mind off of you...









alívio.



segunda-feira, 27 de junho de 2005

QUE SEXTA FOI ESSA????

Depois dessa, a Barca de Caronte precisa voltar a navegar.
Cês não tão entendendo... Era pra ser uma sexta feira calma e tranqüila. Uma cervejinha na feira, uma passadinha no Momo pra dar um beijo no meu avô e pronto!! Mas não, não dá pra ser simples... Foram quatro tempos de bola rolando sem parar, com uma mísera pausa pra fazer um xixi entre uma coisa e outra.
Começou na feira com siri, tapioca, churrasco de lingüiça, picanha borboleta, frango, corações e lombinho, caldinho de feijão e um outro troço que eu até agora tenho medo de perguntar o que era. A feira é ótima, mas acaba rápido. Então ficou acertado a ida de todos os quinze da barraca prum buteco no Morro da Conceição, onde continuamos com batidas de coco e maracujá, queijo, salaminho diagonal (nada com o Harry Potter), e um estranhíssimo bolo de omelete (!?) que dividiu as opiniões. Eu gostei, mas eu como até êpa depois de certa hora...
Ainda não era o suficiente, então como estávamos perto, descemos pro Escravos da Mauá. Luxuosa canja de Aldir e Moacyr, uma coisa. Aí babou de vez: caipirinha do Luizinho, meia-de-seda, vodkas com frutas variadas, um charuto, e tome cerveja pra lavar a serpentina.O quarto tempo era no aniversário do Marcelo Moutinho, o Príncipe do Eixo Madureira-Copacabana.
Disseram que me viram. Disseram que eu ainda tomei mais cerveja, uma batida de maracujá de suco Maguary, e ainda roubei a cachaça de um desavisado. Disseram também que eu prometi release, orelha de livro, capa de CD, óleo sobre tela em 2 X 4 metros, um jantar de noivado e um contrato de exclusividade. Só tem um detalhe... depois de ter conseguido avistar o aniversariante por três segundos e dois décimos, eu me dei por satisfeita, com as tarefas sociais devidamente cumpridas, e desliguei a chave central. Portanto, eu não me lembro muito bem dessas últimas partes. E se eu não me lembro, não aconteceu!! :))

Terceiro tempo: "O bêbado e a equilibrista" no Escravos da Mauá.

Já imaginou?

Basile e Moacyr no preparo da frigideira de siris.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Autópsia

Letra de Aldir Blanc (para o momento dramático do último infarte)

Hoje, a palavra jamais
se apossou do meu dentro
como um seqüestrador
congelando um momento
como um torturador
saqueando
o templo
do meu corpo
como um profanador
violando o sossego
onde já estive morto...

Meu amor foi em vão
ressuscitado
só pra testemunhar
que não resta mais nada
e é nessa paisagem desolada
e vazia,
dentro dessa agonia,
sem raiz, orvalho e ramo
que eu grito: eu te amo
mesmo que não me pertenças mais,
mesmo que eu, no abandono,
também já não me pertença mais.

Com a frieza das facas semelhantes
dos legistas a amantes, bons profissionais,
foi gravada em meu peito a palavra jamais.
Mesmo sendo relativamente moço
e achando o poço onde ela é pedra
profundo demais

sexta-feira, 13 de maio de 2005


Convite Show Luisa Saboia. CLICA!

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Tá na Barca de Caronte!!!


Pomodorino
Avenida Epitácio Pessoa, 1104 Lagoa - Zona Sul - 3813-2622

A casa tipicamente italiana que abriga o restaurante Pomodorino ganha um brilho especial por estar em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cenários mais belos do Rio. Mas só beleza não põe mesa. E foi com esse espírito que nasceu, no final de 2004, o Pomodorino. Cada detalhe foi pensado: a divisão dos salões, a decoração dos ambientes, a escolha dos utensílios, o clima aconchegante da varanda e, obviamente, a elaboração do cardápio.Pomodorino, em italiano, significa "tomatinho". Os tomates cereja, utilizados à vontade, serviram de inspiração para um cardápio leve e colorido, elaborado por Ana Lúcia Aleixo, que traz boa experiência dos restaurantes Artigiano e Fiorino. Saladas, grelhados e massas regados ao azeite extra-virgem são combinados a muitas ervas, berinjelas, abobrinhas, cogumelos, pimentões, tomates cereja, tudo isso preparado de acordo com os moldes de uma boa cozinha artesanal. Aliás, o artesanal está em toda parte do menu: os pães do couvert (focaccia, grissini e pão francês molhados em azeites temperados) são todos feitos a mão na própria cozinha do Pomodorino e suas fornadas saem de hora em hora. As massas são cortadas uma a uma em utensílios próprios.Para a entrada, a salada verde com camarões crocantes, bacalhau e tomates cereja (R$ 17,90), ou salada verde com figos secos e queijo de cabra ao gergelim (R$ 15,30) são os destaques iniciais. Na hora do prato principal é possível escolher entre massas, risotos, carnes e peixes. Pappardelle com berinjela, abobrinha, pimentão vermelho e cogumelos grelhados (R$ 23,90); medalhões de filé mignon com tomates secos, alcachofras, guarnecido com bavettine (R$ 31,50); salmão grelhado em crosta de gergelim branco e preto com salada verde (R$ 30,60); e risoto com funghi porcini e shiitake ao azeite de trufas brancas (R$ 29,80) são os mais pedidos. Para a sobremesa, torta quente de chocolate com sorvete de chocolate branco e amêndoas, que demora doze minutos para ser servida.
www.guiadasemana.com.br

sábado, 7 de maio de 2005

DULCINÉA

(Mitch Leigh e Jacques Brel)

Je te savais déjà
Je savais ton prénom, ton aura, ton éclat, ta lumière
Je te savais toujours
Je savais de toujours que ce jour me mènerait jusqu'à toi

Dulcinéa, Dulcinéa,
Perle d'or sur champ d'amour, toi Dulcinéa,
Même mort, je jure, je jure ne brûler que de toi,
Dulcinéa, Dulcinéa

Oh non, ne t'en va pas
Laisse-moi contempler du regard l'ombre chère de tes pas
Oh non, ne t'en va pas
Tu n'es plus une image, un mirage, un nuage, tu es là

Dulcinéa, Dulcinéa
Laisse-moi servir ta gloire, ma Dulcinéa
Par ma voix, pour toujours, ton nom entrera dans l'histoire
Dulcinéa, Dulcinéa

Dulcinéa, Dulcinéa
Perte d'or sur champ d'amour, toi Dulcinéa
Même mort, je jure, je jure ne brûler que de toi,
Dulcinéa, Dulcinéa

Dulcinéa, Dulcinéa,
Laisse-moi servir ta gloire, ma Dulcinéa
Par ma voix, pour toujours, ton nom entrera dans l'histoire
Dulcinéa, Dulcinéa.

terça-feira, 3 de maio de 2005

segunda-feira, 2 de maio de 2005

Dezoito horas de soluço

O Jornalista escreve (sic) para uma publicação semanal. Tem um orgulho danado. A maioria dos seus conhecidos de faculdade não está trabalhando em veículo nenhum ou estão montando uma empresa de assessoria ou estão desmontando uma empresa de assessoria. A maioria dos seus colegas de trabalho não tem metade das qualificações (sic) que o Jornalista tem. Cursos no exterior. Pós-graduação. Inglês avançado. Francês. Italiano macarrônico e espanhol etimológico. Implante de cabelo. Jaquetas de porcelana. Mantém uma rotina de trabalho rigorosa: acorda às oito, toma seu café da manhã: cereais, frutas e complementos vitamínicos. Lê (sic) os seis maiores jornais em circulação do país, sobe na esteira elétrica em frente à tv – ligada no canal de notícias, claro – pega o telefone e começa a peregrinação das fontes (sic). O Jornalista tem muitas fontes. Da ABI, passando pela Câmara dos Deputados e pelos barraqueiros da praia em frente a seu apartamento recém-comprado, o Jornalista tem muitas fontes.

Antes das onze, o Jornalista já fez e recebeu 34 telefonemas, 8 faxes, caminhou uma hora, correu mais trinta minutos, está exausto. Um informante se recusa a abrir o bico e ele tem certeza de que a pista é quente. É preciso conseguir a informação. Liga pra um deputado, mas a fonte não tem rabo preso com o partido. Então será preciso inventar, ops, esquentar (sic) a notícia. Vida estressante essa, o Jornalista ainda vai acabar com gastrite. Pra relaxar, dois pesos de cinco quilos, exercícios de tríceps junto com mais cinco ligações, marcando com os amigos um programinha pra noite, o quinto da semana e ainda é terça-feira.

O Jornalista é casado (sic). Dizem que a mulher é prima, engravidou de um investidor podre de rico, extremamente bem relacionado, que tem laços com um ex-presidente. Ninguém consegue provar (sic) nada. O Jornalista tem muitas fontes.

Depois do almoço é hora de começar a escrever (sic). A estagiária-secretária-revisora chega pontualmente às catorze horas todos os dias. Os dois então recolhem toda a informação despejada na caixa de correio eletrônico, juntam com os telefonemas, aí ele decide quais os nomes não podem ser revelados ainda, escolhe de quem vão falar mal dessa vez e ela, do alto de seus recém-completos dezenove anos redige (sic) tudo, revisa e encaminha pro editor. Está pronta mais uma obra-prima do polemismo nacional. Não fosse o detalhe de, apesar de vaidoso, ter medo de câmera, a gente podia jurar que o Jornalista trabalha (sic) naquela tal revista de maior circulação do país. Segundas e quintas, quando a Mulher do Jornalista faz aula particular de pintura com um artista jovem de muito futuro (sic), a Estagiária fica até mais tarde (sic).

Pontualmente às duas da manhã, o Jornalista toma dois uísques, um Pantoprazol, um Rivotril, se enfia no pijama de flanela, abre seu novo volume do Paulo Coelho e vai dormir sonhando com o dia em que vai estar por cima do William Bonner. Ou não necessariamente nessa ordem. Sic!

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Uma confissão de amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
(Clarice Lispector)

Não quer calar

Será que a YSL está pagando direitos ao Juarez Machado sobre a campanha de seu novo perfume? Devia...

Alegrando o Dia

http://lovethosekids.com/playgrnd/glitzer/glitzerd.htm

terça-feira, 19 de abril de 2005

Nada pra mim - Ana Carolina

Posted by Hello


Eu não vim aqui
Pra entender ou explicar
Nem pedir nada pra mim
Não quero nada pra mim
Eu vim pelo que sei
E pelo que sei
Você gosta de mim
é por isso que eu vim
Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você
Que eu guardei pra você
Pra você não esquecer
Que eu tenho um coração
E é seu
Tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra
Tive voce na mão
E agora
Tenho só essa canção