sábado, 9 de agosto de 2008

NÃO ME DEIXE SORRIR

Segurou firme na mão da amiga e pediu:
– Não me deixe sorrir.
– Tá louca?
– Falando sério.
– Por quê?
– Não quero dar mole pra malandro. Quero que ele me veja assim maravilhosa, por cima da carne-seca. Desde que eu descobri que ele tem vindo aqui, estou planejando esse momento. Quero esfregar na cara como estou serena e tranqüila, bem mesmo.
– E como você sabe se ele vem?
– Minhas fontes são as melhores.
– E vai ficar sem sorrir? Com cara de manga?
– Manga...
– Chupada.
– Ô, quem dera. Não é cara fechada, tonta. É serenidade e elegância. Agora disfarça, acho que é ele ali na porta, chegou! Deixa eu me sentar desse lado. E se eu começar de risinho, já sabe: me belisca.
– Você que sabe.
– Hi, ele parou na outra mesa.
– Qual?
– Ali, na esquerda.
– Aonde? No banheiro?
– A outra esquerda. Atrás da pilastra.
– Você tá vendo de costas e atrás da pilastra?
– Pelo espelho, merda. Olha direito você, que está de frente.
– Ah, tá. E aqueles, quem são?
– Nunca vi. Devem ser amigos do escritório.
– E você não conhece ninguém?
– Não.
– E todos aqueles almoços e festas?
– Nunca fui.
– Toda hora tinha um evento ou compromisso social...
– Sei de nada.
– Você nunca foi ou ele nunca te levou?
– Cala a boca.
– Bonita a mulher.
– Qual delas?
– Aquela do lado de quem ele sentou.
– Uma velha de azul?
– Não, uma ninfeta de vermelho. A que ele está abraçando.
– Abraçando?
– E beijando.
– Como, beijando? Na boca?
– Perfeitamente.
– Ah, mas claro, selinho de amigo, lógico.
– Se aquilo é selinho-amigo, tá na hora d’eu começar a ir pro Maracanã com o Osvaldo.
– Mas de que lado você está?!? Você deve estar enganada. Vou me virar.
– Eu-você não faria isso.
– Por quê?!?
– Porque ele tirou uma caixinha de veludo do bolso...
– ... !!!
– ... e está de joelhos, na frente do grupo todo.
– Esses aplausos?
– São pra eles.
– Você só pode estar brincando.
– Nunca se brinca com tantos quilates.
– É de brilhante???
– Brilhante é o fundo das minhas panelas. Aquilo é uma agressão.
– A mim! A mim! Ele nunca me deu sequer um tíquete-refeição!!
– E você aturava? Bem feito.
- Pára de enrolar! E agora? O que eles estão fazendo?
– Brindando de pé, traças entrelaçadas...
– Não é possível...
– ... e recebendo os parabéns.
– Mas não tem bem nem três meses! E nós ficamos juntos por dois anos e ele nunca propôs!
– Amiga, vou te dizer: ele propôs, submeteu, deferiu, registrou e entregou.
– Eu não consigo acreditar.
– Melhor você acreditar e rápido.
– Como assim?
– Ele tá vindo pra cá.
– Queísso!!
– E já te viu.
– Ele vai me ver como rosto inchado de choro, com jeito de arrasada, obviamente de-ses-pe-ra-da?
– Melhor botar um sorriso aí depressinha, porque ele vem, meio sem graça, com a melhor pinta de cumprir obrigação social, mas vem...
– Mas graça onde? Sorrir de que? Como?!
– Não sei! Quer que eu te belisque?!?

ATARAXIA

Cale-se.
Não arraste a materialidade fria da sua ausência para dentro do armário.
Mova-se.
Atalhe em curto o pasmo e o peso do desaire.
Despeça-se.
Sorria para os inimigos cultivados e deixe a casa pelo mesmo prefácio.
Cubra-se.
Poupe as crianças da vergonha futurível e covarde.
Convença-se.
Olhe apenas adiante e sempre próximo a seus próprios pés.
Livre-se.
Jogue fora seu apego, sua doença, seus vícios, seus pesados disfarces.
Controle-se.
Seja seu melhor e único amigo em perpétuo isolamento.
Desperte-se.
Acorde agora e nunca mais dê ouvidos a superfícies refletoras ou brilhantes.

Tears Dry On Their Own


Amy Winehouse


All I can ever be to you
is a darkness that we knew
and this regret I got accustomed to...
Once it was so right!
When we were at our high,
waiting for you in the hotel at night,
I knew I hadn´t met my match.
But every moment we could snatch,
I don’t know why I got so attached.
It's my responsibility,
and You don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity...

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

I don't understand
why do I stress the man
when there's so many better things at hand.
We could have never had it all,
we had to hit a wall.
So this is inevitable withdrawal -
even if I stopped wating you,
A perspective pushes through:
I'll be some next man’s other woman soon...

Can I play myself again?
Or should I just be my own best friend?
Not fuck myself in the head with stupid men?

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

So we are history,
Your shadow covers me,
The skies above a blaze

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown.
And in your grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

I wish I could say no regrets
and no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets...
So we are history,
The shadow covers me,
The sky above a blaze
that only lovers see...

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I'm grown.
And in your grey,
My blue shade
My tears dry on their own!(whooa!)

He walks away,
the sun goes down,
He takes the day but I'm grown.
And in your grey,
My deep shade,
My tears dry on their own!



sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cinco Dias


trilha: Sabe Você (Carlos Lyra / Vinícius de Moraes) clica!


Primeiro dia – Prelúdio do Horizonte no Veraz do Mundo

No primeiro dia, ela olhou pra ele com a curiosidade de gato que se debruça no parapeito. Virava a cabeça de lado, tentando entender de onde, de onde, de quando, de onde ele aparecera? Uma gata, pisando deleitosa, que espia o brinquedo perfeito: intrigante, luminoso, súbito. Ora, nada demais, não vou cair. Além do que é só uma voltinha, volto pra casa em menos de meia hora. Olha essa lua. Ninguém vai sequer dar pela minha falta. Eu já sou crescidinha, posso sair e me cuidar e nem é tão alto assim. Olha a lua, que linda, faz o paralelepípedo parecer misturado a pó de diamante. Eu miro bem direitinho, com cuidado, e num lindo salto leve e seguro, eu passo do chão ao...

- Ele tinha aqueles olhos...

- Azuis?

- Não, vazios.

- Vazios? Vazio-indiferente?

- Vazio-faminto.


Segundo dia - Sarabanda do Horizonte no Limite do Mundo

No segundo dia, o tempo acelerou em volta e, por mais que ela corresse, não dava pra cheirar, lamber, esfregar, triturar, umedecer, sugar, intumescer, ou dominar nem a metade do que lhe era oferecido. No centro da sucessão de cenas girátórias e aceleradíssimas, ela se encantava – até para sua própria surpresa – não com o que lhe alucinava os sentidos, mas com pontinhos brilhantes de refração, cintilações cromáticas, o rosto congelado numa expressão mesmerizada e um tanto idiota, a vida virando um caleidoscópio gigante com som de candelabros de cristal e cavalinhos no carrossel. Era hipnose. Ou um anátema. Se beliscar, acorda?

- Nunca na minha vida.

- Por favor, não diga isso se não for verdade...

- Você quer a verdade?

-... por tudo que é mais sagrado!

- Então assimile: tudo que eu te digo é mentira. Isso inclusive.



Terceiro dia - Alemanda do Horizonte no Resvalo do Mundo

No terceiro dia, ela estava perdida. Insone, exausta, desnorteada, ela tentava em vão achar o caminho de casa. Tinha fome, sede e desdém. Mas a dor pior, anestesiada, estava por aturar: as almofadas das patas sangravam os passos em carne viva. E, insulada até de si, a péssima: uma saudade funda do parapeito. Sentir embaixo dos dedos a pedra fria que causava tamanha entrega no calor, o corpo frágil desmanchando-se no prazer do contraste quente-de-dentro com frio-que-arrepia; essa dor, quando batesse, não ia ter volta, a Saudade brincando de esconder com a Culpa e as duas tripudiando com a Razão.

- Ele nunca vai dizer.

- Que te ama?

- Isso ele já disse.

- Então o que mais?

- Que fica.



Quarto dia – Courant do Horizonte no Negrume do Mundo

No quarto dia, a fome era brasa e as retinas queimadas ardiam cheias de areia. Os tendões contraídos deixavam antever as garras para fora do que sobrou das patas escarnecidas. Tinha fome, sede e ódio. Todas as dores já estavam rindo, às gargalhadas desdentadas, expondo a alma desgraçada e aniquilada dela que um dia foi una. Controle-se, componha sua mente, resista e não se entregue ao desespero, caminhe, falta pouco agora, respira, você é capaz de saber a diferença entre Delírio e Suposição.

Luz.

- Por quê?!?

- Não sei do que você está falando.

- Eu não tenho como suportar mais!

- Nunca te enganei.

- Eu também nunca precisei da sua ajuda pra isso.



Quinto dia – Adágio do Horizonte na Curva da Esquina

No quinto dia, ela descobriu que apenas o corpo se parte, mas o espírito jamais se recobra. Como toda memória, a da pele também mora entre a solidão e a necessidade, no fundo do armário da mente. Sobre seu parapeito favorito, ela filosofa 19 latinhas de cerveja sabendo que, depois da rua, a casa nunca mais será a Casa. O parapeito estará sempre ali, frio, pedra, branco, contudo não dá pra subir no lugar seguro e aconchegante sem ver a rua todas as vezes. E, ainda que as patas e unhas doam rigorosa e concisamente só de pensar, ela tem certeza, a ponto de jamais ter hesitado o pensamento, certeza absoluta de que pularia de novo, se ele... Ah, se ele.

- Você não vai passar por aquela porta e pronto.

- Me deixa ir. Não brinca assim, me deixa ir...

- Fica, não vai, fica comigo. Fica.

- Me deixa ir, vc não pretende, e é mais do que eu agüento, eu vou... eu tenho...

- É só até amanhecer. Isso, assim, vem cá, me beija agora. Não chora. Ssshhh. Dorme. Quando acordar, eu não estarei mais aqui.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

clica pra aumentar

Fonte da Saudade – Lagoa - RJ
A feijoada não é obrigatória, teremos outros petiscos.
Peço aos amigos que, por favor, confirmem por causa das reservas.

OOOOBAAAAA!!!!! =)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

PALMEIRA DO MANGUE - A Estréia

TROFÉU COCÔ-MOLE

Aldir Blanc

O Troféu Cocô Mole da semana vai ser colado na testa de Celso Arroth, ex-tétrico do Complexo de Januário (não tem santo lá), autor da frase:

– O Vasco é um clube único. Muito treinador já teria sido mandado embora. Aqui me sinto tranqüilo.

Pela frase acima, vê-se que Arroth, além de técnico medíocre, é um homem desinformado. Será que ele não sabe as circunstâncias estúpidas da dispensa de Renato Gaúcho, do desrespeito com que foram chutados pra fora do clube jogadores exemplares como Juninho Pernambucano, Carlos Germano e tantos outros? No momento em que escrevo, um neto me informa que o “treinador interino” é o jogador Rolário, aquele cujas festas só empatam em assiduidade com as lesões causadas pelas próprias festas. Rolário declarou que poderá se auto-escalar contra o América. Mais vexame à vista.

Parabéns pelo Troféu Cocô Mole na testa!

Enquanto isso, Eu-Rico, o Piranda, prossegue em sua obra magna: a destruição completa dos últimos vestígios de honra no Vasco da Gama. Com a sede histórica penhorada e mutretas que vão até o deposito de parte da venda de um jogador em paraíso fiscal, o Maquiavel ao Zé do Pipo, com o time caindo pelas tabelas, baba na gravata de expectativa: irá o Vasco, graças à estupidez de sua administração e contratações, despencar para a Segundona? E, pra variar, perdeu de novo para o Flamengo, time do qual só ganha da boca (imensa) pra fora. Já que usamos a palavra fora, vamos reaproveitá-la num contexto essencial:

FORA, EU-RICO! DEIXE O VASCO EM PAZ!

sábado, 8 de setembro de 2007

A última coluna

A coluna que Aldir escrevia no JB acabou.
Abaixo o texto daquela que seria a última, mas nem chegou a ser publicada. Foto vai essa mesma, que a dos 3 juntos eu não achei... =)



MAIS VELHINHOS BIRITEIROS

Desde que os amigos Jaguar e Fausto Wolff ficaram impossibilitados de beber por ordens médicas e me pediram para honrar seus múltiplos compromissos etílicos, tenho me esforçado para fazer jus a esse trabalho. Eu, um vira-latas da Zona Norte, vertendo underbergues e steinhagers, que não são a minha praia, jogando no ataque por um Jaguar e um Lobo... Devo confessar que, de uma semana para cá, não os representei com o senso de profissionalismo que a nobre tarefa exige. Eu vinha entrando no quarto de muletas (joelhos com síndrome de Torres Gêmeas) e vi no chão, tarde demais, “A Vontade de Poder” de Nitzsche. O cirurgião que me operou em 1991 havia feito a advertência:

- Coisas largadas no chão, uma folha de jornal, livros, uma peça de lego, tudo isso pode ser mortal!

Bom, a muleta deslizou no Nietzsche (tá aí uma expressão bacaninha: hei, cara, tu tá deslizando no Nietzsche, tipo “escorregou na maionese”) e levei um tombo digno de um trapezista - sem redes. Agora, só chamo o tal livro de “Vontade não é Poder”. Fiquei uns dias sem biritar, tomando remédios mais destrutivos que a cervejinha e, não mais que de repente, li uma frase extraordinária do Jaguar, solta no meio do texto “Lucro Líquido”, que nem terrorista larga mala com bomba em saguão de aeroporto: “dias intermináveis”. É a pura verdade e dói mais que o retrato de Itabira na parede do Poeta. Pensei em meus dois companheiros de infortúnio, ergui-me do leito e tomei, pela ordem, uma pilsen Therezópolis Gold, uma Original, e uma belga Stella Artois . Pouquinha coisa, mas não é que o danado do dia passou mais rápido?

***

Disney War

Leio que os norte-americanos montaram um parque temático semelhante ao, pasmem, Iraque, logo na Louisiana, onde cabra pasta Cheetos. Gastaram uma nota preta. Que desperdício! Bastava o Bushetta no poder usar a cidade destruída pelo furacão Katrina, Nova Orleans, que ficou – a parte mais pobre e negra – dias sem socorro, com cadáveres boiando pelas ruas, graças à omissão do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de lá. Parece que Nova Orleans chegou a ser cogitada mas um tecnocrata objetou:

- O clima do Iraque é mais seco.

Bobagem. As ruas de Nova Orleans estão encharcadas de sangue.

***

A floresta de Bialowieza Puszcza

Economia de “mercado”, “liberdade” de comércio, neo-liberalismo, tudo somado é igual a caos. Lendo “O Mundo sem nós”, de A. Weisman, descubro que a floresta acima resistiu a séculos de domínio polonês, à Primeira Guerra Mundial, à invasão soviética, à caça predatória e destruição de madeiras nobres, promovidas por nazistas loucos de fome e frio, etc. Só não resistiu à democratização da Polônia, cujas otoridades, depois de restaurados os “livres” isso e aquilo, começam a destruí-la. O argumento é digno de um José Sarney: “Estamos cortando a madeira para restabelecer o caráter original das árvores”. A Polônia está ferrada. Seus políticos mentem mais que Réu-nan Ca(n)galheiros, o que não é brincadeira. Enquanto isso, Vargas Llosa escreveu um artigo precioso denunciando o regime “autoritário e racista da Rússia de Putin”. A grande contribuição da queda dos soviéticos foi o afluxo de estrelas para o cinema pornô norte-americano. Se considerarmos que Baby Bush criou cárceres secretos na Polônia e na Romênia para melhor torturar e matar, não estamos tão distantes assim da Cortina de Ferro. Quando a coisa piorar, Bush Mouse corre pro bunker (Bunker... onde foi que eu li essa palavra antes? Ah, que memória a minha! Foi o esconderijo final de Adolf Hiltler).

***

Edufardo Azedinho

Pois é, senadô Azeredo, é possível que os que se esforçam para dar uma cara verde e amarela ao Canal Brasil lhe pareçam desinteressantes – mas também não estamos metidos com a caixa 2 de campanha do “publicitário” Marco Valério. Uma sensível diferença entre nós e Vossa Excrescência, não acha? Por isso, nós do Canal Brasil, nos sentimos honrados com sua defecção (não confundir com defecar. Isso o senadô já faz no mandato). Há momentos, na vida pública brasileira, em que são preferíveis os Bob Jeffersons e os Réu-nans. Pelo menos não bancam o santinho do oco (não acredito que farsantes desse calibre tenham pau).

Aldir Blanc

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Never Give All The Heart


Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that’s lovely is
But a brief, dreamy, kind delight,
O never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If dead and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.

W. B. Yeats

(ouça a trilha)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Do Casarão

Quando eu era pequena, achava que lá morava um príncipe que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa. Eu ficava pensando em mil maneiras de quebrar o encanto, salvar o príncipe, reviver a casa e ser feliz para sempre. Toda vez que passava por lá, cantava "Se essa rua fosse minha" para o príncipe saber que eu continuava pensando nele e numa forma de salvá-lo e não ficasse triste.
O Casarão da esquina da minha rua foi reformado.
E na estréia, meu padrinho.
E eu passeando lá dentro tinha oito anos outra vez.

PS: Só unzinho, bem pequeno: se você for, leve as suas próprias cervejas.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Duas ou três coisas para dividir

http://www.berlendis.com/3cavalos.htm
O melhor livro que eu li esse ano, depois da releitura de "A Mão Esquerda".


http://www.kcsm.org/kcsm.wmx
Uma das melhores rádios Jazz da internet. É só clicar e curtir uma excelente seleção o dia inteiro. Link para Wndows Media Player.

http://ofuxico.uol.com.br/Materias/Noticias/2006/12/36525.htm
Dá uma espiadinha lá no fim... Bom não, ótimo! Excelente!!!
Se vc encontrar outro link, manda pra mim! ;)


Boa semana!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

AS COISAS IMPORTANTES


Jall Sinth Hussein


As coisas importantes só olhas uma vez
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.

As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.

As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.

As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Cinismo e civismo


Por ocasião das eleições de domingo.

Clica pra aumentar e ler.


segunda-feira, 25 de setembro de 2006

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Bolô-Fedex - CARTA DE ALDIR BLANC PARA ACM

Amigos:
Estou enviando minha crônica em resposta ao senador ACM que me chamou de"canalha".
Não foi possível publicá-la, mas faço questão que ela seja lida pelo maior
número possível de pessoas.
Por favor, colaborem.
Abraços
Aldir Blanc



Leva, meu samba, meu mensageiro, esse recado...


O Sena-Sênior ACM, vulgo Malvadeza, me acusou de ser “um elemento lulista infiltrado” no JB. E concluiu seu arrazoado (?) me chamando de canalha.


Senadô-Skindô, por mais que eu viva nenhum elogio me trará orgulho maior do que ser chamado de canalha por V. Excrescência. Quem lê minha coluna sabe que o pau canta à direita, à esquerda e, claro, no centro, com igual prodigalidade. Espero que a grande famiglia pefelista já tenha providenciado junta médica competente para lubrificar os parafusos do Cacicão. A julgar pelas suas mais recentes declarações, as encrencagens, desculpem, engrenagens, estão precisando de uma lubrificada urgente: ginkgo biloba, piracetan, talvez um viagrinha... O senador, craque em prestidigitação, mais uma vez misturou as bolas: combatividade é muito diferente de baba paranóica escorrendo gravata parlamentável abaixo.


A ojeriza é mútua. Estou farto de maquiavelhos de fraldão deitando regras. Toda essa mixórdia envolvendo valeriodutos, mensaleiros, sanguessugas e saúvas, começa com políticos da sua estirpe. O mecanismo é manjado. Se as denúncias favorecerem meu partido, palmas, vamos apurar. Agora, se a canoa virar, o denunciante passa a bandido e fim de papo, vai ser preciso buscar a propina em outro guichê. A máscara-de-pau que descrevo acima é suprapartidária. Os que não a exibem são as exceções que confirmam as regras vigentes. Quando as regras rompem os diques e escorrem periferia abaixo, não há Lembo Pétala-Macia que evite derramamento de sangue - na maioria dos casos, inocente. Mas o meu negócio não é discurso, é galhofa. Já que falei em bolas misturadas... Dizem que um velho político pefelista, preocupado com as más performances nos palanques, procurou um médico, antigo cupincha de castelo e carteado.


- Tô com um problema, num sabe? Bem na... plataforma de lançamento.


- Hein?


- Pois é. Gases. Uma coisa impressionante. Além das explosões e dos odores, tem hora que chego a levitar. Uma assessora já foi arremessada contra meu contador de caixa 2. Estão hospitalizados. Isso não pode continuar.


O amigo explicou que aquela não era a especialidade dele, mas que pensaria no assunto, conversaria com colegas renomados, faria até pesquisa na internet.


No comício seguinte, o esculápio apareceu com um vidro misterioso, sem rótulo, e entregou ao político:


- É pra...


Mas o tumulto, o puxa-saquismo, os vivas, a euforia bem remunerada impediram a necessária e urgente troca de informações. Cerca de meia hora depois, o SSJE (Secretário para Superfaturamento Junto a Empreiteiras) agarrou o ilustre médico pelo paletó.


- Corre que o Chefe tá pegando fogo nas... nas partes baixas.


- O quê?!?


O socorrista encontrou o parlamentável feito um bebê, sem calças, com uma brutal reação alérgica na proa da região pélvica.


- Mas... Eu mandei você beber a poção e você esfregou nos...


- No calor da luta política, eu confundi peido público com pêlo púbico.

Aldir Blanc

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

9 de agosto pra nunca mais ou para sempre

O que eu tenho a dizer pro meu irmão amado que há 365 dias foi morar lá longe não é de palavra.
É de sentir e está aqui:

http://branca.multiply.com/music/item/18

Ai, céus...

terça-feira, 11 de julho de 2006

Duzentos gramas (Falso testemunho)


Trilha: Cabide


Diz, olhando no meu olho, que nunca mais pensou,

Que nunca se perguntou como seria,

Que nunca quis saber o que havia entre eu e outro cara.


Diz, sem baixar a cabeça, que nunca mais lembrou

do beijo, que nunca se perguntou se poderia,

que nunca se flagrou delirando uma cilada ou desculpa esfarrapada.


Diz, olhando bem no fundo dos meus olhos,

Que nunca se moveu por tanto amor,

Que nunca se arrependeu do que abandonou...


Diz, com a cara lavada que eu nunca fui nada

Nem disso nem parecido, diz de uma só tacada

Que nunca quis saber se eu ainda tremeria

Ou choraria ou me desmancharia como antes!


Diz que me esqueceu completamente

E que só eu, que sou doente,

Fico rendendo esse discurso deprimente.


Diz que nunca lembrou de toda a minha entrega ao me comparar com ela

ou outra frívola qualquer.

Diz e jura que isso é tudo mentira, delírio de mulher maluca,

Que já não sobrou nada, nem fuga de pensamento.


Mas faça tal juramento sobre a tua própria carne: diz e jura.

E eu hei de cortar fora o pedaço que me cabe pelo falso testemunho.

Um merecido tormento para o maior mentiroso do mundo

E que eu faço questão de apagar, (mal)feito rascunho.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Lindeza


Lindeza (clica!)
Caetano Veloso


Coisa linda
É mais que uma idéia louca
Ver-te ao alcance da boca
Eu nem posso acreditar

Coisa linda
Minha humanidade cresce
Quando o mundo te oferece
E enfim te dás, tens lugar

Promessa de felicidade
Festa da vontade, nítido farol
Sinal novo sob o sol
Vida mais real

Coisa linda
Lua, lua, lua, lua
Sol, palavra, dança nua
Pluma, tela, pétala

Coisa linda
Desejar-te desde sempre
Ter-te agora e o dia é sempre
Uma alegria pra sempre